Faleceu Lopo de Freitas, o homem que acreditou nos vinhos da Bairrada

Era o rosto das conhecidas Caves São Domingos, que há poucos anos completaram um ambicioso projecto de modernização

A região da Bairrada perdeu uma das suas principais figuras, o homem que há mais de quatro décadas era o rosto das Caves São Domingos e um dos raros que sempre acreditaram nas potencialidades dos vinhos da região.

Lopo de Freitas faleceu esta quinta-feira nos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde desde a última sexta-feira estava internado, em resultado das lesões sofridas como consequência de uma queda num arruamento. O funeral realiza-se esta sexta-feira, pelas 15h30, na Capela de S. Sebastião, em Anadia.

A empresa, que festejou no ano passado os seus 75 anos, foi fundada por Elpídio Martins Semedo, tendo-lhe sucedido na liderança do negócio Lopo de Sousa Freitas, em 1970.

Embora já afastado dos afazeres da administração, mantinha ainda presença diária nas caves e era uma das personalidades mais admiradas e respeitadas em todos os quadrantes da viticultura bairradina. A par da actividade empresarial, Lopo de Freitas, que completou 85 anos em Janeiro passado, foi fundador da Academia do Vinho da Bairrada e também da Confraria da Bairrada.

Foi pela sua mão que as Caves São Domingos avançaram, na década passada, com um ambicioso projecto de modernização, com a produção de uvas próprias, renovação das equipas de enologia e viticultura, e instalando modernos equipamentos de vinificação, inaugurados em 2006. Uma aposta na Bairrada e no potencial dos seus vinhos, que tem vindo a ser coroada com o crescente incremento do negócio e reconhecimento dos seus produtos.

As Caves Solar de São Domingos, com sede em Ferreiros Anadia, produzem actualmente vinhos espumantes, DOC Bairrada, tintos, brancos e rosados e aguardentes. Nas suas caves, estagiam mais de dois milhões de garrafas de espumante, centenas de milhares de litros de vinhos tintos e brancos e ainda mais de meio milhar de barricas de aguardentes.