Dinossauro de 17 metros vendido por quase meio milhão de euros

Misty tem 150 milhões de anos e é um dos esqueletos mais completos de Diplodocus longus.

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O esqueleto leiloado Leiloeira Summers Place

Um dinossauro com 17 metros de comprimento e seis de altura foi vendido esta quarta-feira por 480 mil euros, pela leiloeira Summers Place, em Billingshurst, no Reino Unido. Embora não pudesse identificar o comprador, Rupert van der Werff, representante da leiloeira, assegurou à BBC News que Misty, a fêmea de Diplodocus longus vendida, seria exposta ao público.

Este saurópode, um herbívoro quadrúpede de cauda e pescoço longos, com 150 milhões de anos, foi descoberto pelos dois filhos de Raimund Albersdörfer, um caçador de fósseis, em 2009 na Pedreira de Dana, no Wyoming, Estados Unidos.

Misty é um dos seis esqueletos completos da espécie Diplodocus longus conhecidos em todo o mundo. Embora o esqueleto seja constituído por apenas 40% de ossos originais, os outros não chegam aos 30%.

O Museu de História Natural de Londres declarou, antes do leilão, que não estaria interessado em licitar o espécime. Este museu tem o famoso Dippy à entrada, uma réplica do Diplodocus longus que está no Museu Carnegie de História Natural em Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA), que por sua vez foi composto a partir do esqueleto de dois indivíduos.

Um rinoceronte com memória lisboeta

Apesar da raridade do espécime apresentado em leilão, o valor da venda não ultrapassou a base de licitação de 480 mil euros (400 mil libras). Mesmo assim, ficou muito acima dos 24 mil euros (20 mil libras) da segunda venda mais rentável desta colecção intitulada Evolution, uma estátua em resina de bronze, do artista Andrew Sinclair, representando o rinoceronte de Dürer.

O desenho original do rinoceronte-indiano foi feita pelo artista alemão Albrecht Dürer, de Nuremberga, em 1515, baseando-se numa carta com a descrição e num esboço do rinoceronte-indiano que tinha chegado a Lisboa nesse ano, o primeiro exemplar vivo desta espécie a entrar na Europa desde o Império Romano. Apesar das incoerências anatómicas, o desenho de Dürer foi copiado inúmeras vezes, influenciando vários naturalistas (percursores dos ilustradores científicos) e artistas.

Outros tesouros dignos dos antigos gabinetes de curiosidades podem ser encontrados no catálogo da exposição Evolution: um crânio de morsa com caninos de 51 centímetros, com 10.000 anos, que não chegou a ser vendido; um esqueleto composto de várias partes de outros animais representando um centauro, cuja base de licitação eram mil libras e foi vendido por 9000 (10.800 euros); dois armários com gavetas cheias de relíquias naturalistas ultrapassaram os 12 mil euros cada um; um urso polar, medindo dois metros de pé, vendido por 16.800 euros; ou uma pedra de 42 quilogramas de lápis-lazúli de elevada qualidade, da mina Sar-e-Sang, no Afeganistão, que chegou aos 12 mil euros. Das 232 peças que compunham o catálogo, venderam-se 136, totalizando cerca de 900 mil euros (747.810 libras).

Algumas das peças mais emblemáticas da colecção, para o seu curador Errol Fuller, não chegaram a ser vendidas, como a réplica do esqueleto de um dodó, cujos esqueletos verdadeiros são muito escassos, o fóssil de um ictiossauro com 200 milhões de anos, ou o esqueleto de leopardo-de-amur, uma subespécie extremamente ameaçada com apenas 50 indivíduos na natureza.

 
 
 
 
 
 

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