Sequóia-gigante de jardim do Porto vai ser abatida, mas terá um memorial

Árvore centenária estará morta há vários anos no jardim romântico do Carregal, onde há mais problemas por resolver.

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Imagem da árvore em 2004, quando decorriam as obras do túnel de Ceuta sob o jardim DR

A sequóia-gigante (Sequoiadendron giganteum) do Jardim do Carregal, no Porto, está morta e vai ser abatida. Mas a sua importância é reconhecida pela Câmara do Porto, que está a trabalhar num “projecto de memória” da árvore.

José Bernardo Dias utilizou o tempo dedicado ao público, na reunião do executivo da Câmara do Porto desta terça-feira, para regressar ao tema que já o levara ali a 29 de Janeiro deste ano – o estado de degradação do Jardim do Carregal. Desta vez, contudo, o munícipe trouxe um alerta muito específico: “Há lá uma árvore de grande porte, seca há muito tempo. Morreu e pode ser perigosa”, disse.

O vereador do Ambiente, Filipe Araújo, conhecia a situação e garantiu que o abate da árvore, uma sequóia-gigante, já está previsto. “A árvore vai ser abatida, mas é de interesse patrimonial grande, está classificada e estamos a celebrar um protocolo com uma instituição universitária para criarmos ali um projecto de memória deste exemplar”, explicou.

Segundo o blogue Dias Com Árvores, a sequóia-gigante do Carregal tem 114 anos e mais de 18 metros de altura. Um post de Dezembro de 2004 já dava conta da sua fragilidade. “Produz pinhas abundantes no fim do Verão, mas não parece de boa saúde, resultado por certo da agressão a que inevitavelmente as obras do túnel do Carregal [de Ceuta] a têm submetido”, escrevia-se na altura.

A falta de saúde da árvore e a sua morte é algo em que Paulo Ventura Araújo – um dos autores do livro Um Porto de Árvores, cuja 2.ª edição vai ser apresentada na próxima quinta-feira – já reparara “há uns anos”, diz ao PÚBLICO. Contudo, Paulo Ventura Araújo duvida que as obras tenham tido responsabilidade directa na morte desta sequóia-gigante, uma das três que existem na cidade (as outras duas estão no Jardim da Cordoaria e no Parque de Serralves). “O que me parece é que é uma árvore que não resulta muito bem em meio urbano ou no nosso clima. São das maiores do planeta e os exemplares que cá temos são muito mirrados. Elas não estão bem, as condições não são as melhores”, diz.

“Último jardim romântico do Porto”, como José Bernardo Dias se lhe referiu, o Jardim do Carregal foi construído em 1897 e esteve encerrado ao público, para ser totalmente requalificado, no âmbito das obras de construção do túnel de Ceuta, entre 1999 e 2005. Reinaugurado nesse ano, o jardim deixa o morador “com pena”, por causa do estado em que se encontra. José Bernardo Dias lamenta a falta de limpeza do lago, os “pseudobancos de cimento com tampo de granito em que ninguém se senta”, as construções em madeira instaladas no local e que se estão a desfazer e os caminhos que foram cobertos com cimento, depois de um problema com o escoamento de águas pluviais ter levado à retirada do saibro inicialmente escolhido para pavimentar a área.

O vereador do Urbanismo, Correia Fernandes, explicou que o jardim não está sob alçada do seu pelouro, mas apelou a “uma junção de esforços dos serviços” para resolver problemas como este. “Perturba-me que sejam tomadas como boas opções que nem sempre o são, o que não quer dizer que não tenham justificação. Neste caso, a solução encontrada revelou-se pouco confortável, pouco durável”, disse.

Já o vereador do Ambiente, Filipe Araújo, explicou que pediu para se “avaliar” as condições do jardim, nomeadamente ao nível da limpeza do lago. “A informação que tenho é que é esvaziado duas vezes ao ano, para limpeza. De qualquer modo, pedi para avaliar a questão dos maus cheiros, para ver se é preciso ajustar isto”, disse.

O tempo dedicado ao público foi ainda utilizado pelos munícipes para, entre outros assuntos, repetir queixas sobre o ruído e o estacionamento caótico relacionados com a animação nocturna. Depois de Filipe Araújo e do vereador da Fiscalização, Sampaio Pimentel, terem esclarecido questões específicas das queixosas, Rui Moreira quis deixar uma garantia: “Esta é uma questão que nos preocupa e que merecerá do município a melhor das atenções”.

Na reunião desta terça-feira foi ainda aprovado o aditamento ao protocolo de apoio mecenático, que prorroga a utilização do edifício AXA como um centro cultural da cidade, até ao final de 2014. A proposta da CDU para que fosse revogado o Regulamento de Gestão do Parque Habitacional do Município do Porto foi chumbada, pela maioria composta pelos vereadores da lista independente de Rui Moreira e pelos socialistas.