China alarga a sua zona de defesa aérea às ilhas que disputa com o Japão

A decisão "unilateral" da China pode provocar "alguma coisa inesperada", diz o governo japonês.

As ilhas Senkaku (para o Japão) e Diaoyu (para a China) são ricas em recursos naturais
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As ilhas Senkaku (para o Japão) e Diaoyu (para a China) são ricas em recursos naturais Reuters

A China demarcou uma zona de identificação de defesa aérea na zona oriental do Mar da China que inclui ilhas que o Japão considera pertencerem ao seu território. O Ministério da Defesa chinês emitiu um comunicação que diz que qualquer aeronave que entre naquela zona deve obedecer às regras ou sujeitar-se a "manobras de emergência defensivas".

O governo japonês considerou que este é um acto de "escalada" por parte de Pequim e apresentou um protesto.

As ilhas são conhecidas no Japão por Senkaku e a China chama-lhes Diaoyu e são o foco de tensões entre os dois países, tensão essa que aumentou consideravelmente ao longo deste ano com navios chineses a aproximarem-se das ilhas, sempre sob protesto japonês. Nas últimas semanas, bombardeiros chineses realizaram voos junto às ilhas.

Com esta declaração sobre o alargamento da zona de defesa aérea, a China parece dar o último passo na disputa – adverte o Japão de que os seus caças não podem aproximar-se do espaço aéreo uma vez que isso será considerado um acto hostil.

Perigo potencial
Os dois países vinham a gerir esta crise com grande cautela, evitando qualquer tipo de discurso de confronto e mantendo-se no campo da retórica. Os observadores questionavam-se, perante esta declaração que o Japão considera pôr em causa a sua soberania territorial, é possível manter essa atitude ou se obrigará Tóquio a reforçar também a sua posição militar.

"Tomar esta decisão unilateral provoca uma escalada na situação à volta das ilhas Senkaku e provoca um perigo potencial de poder acontecer alguma coisa inesperada", diz o comunicado do Ministério da Defesa japonês, citado pela BBC. Em Outubro, o ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, disse que o comportamento chinês estava a pôr a paz em causa.

O Ministério da Defesa chinês, no seu comunicado, diz que qualquer avião que queira sobrevoar o espaço aéreo das Diaoyu  tem que apresentar o seu plano de voo, "manter a comunicação de rádio nos dois sentidos", "responder de forma eficaz e atempadamente" às indicações pedidas ou feitas e, finalmente, adverte que se isso não acontecer "as forças armadas chinesas adoptarão medidas defensivas de emergência".

A agência noticiosa chinesa Xinhua (Nova China) divulgou um mapa no seu site que cobre uma vasta área do Mar da China e que inclui áreas muito próximas da Coreia do Sul (com quem Pequim também disputa territórios) e do Japão. A agência cita um porta-voz do Ministério da Defesa, Yang Yujun, que explica que o mapa foi feito com o objectivo de "salvaguardar a soberania do Estado, manter a segurança territorial em terra e no ar e manter [a vigilância] dos voos em ordem". "Não há aqui um alvo específico ou um país alvo, a China sempre respeitou os acordos internacionais sobre o espaço aéreo", disse o porta-voz.

As ilhas foram disputadas durante muito tempo entre o Japão e a China. Segundo o Japão, a China, no início do século XX, desinteressou-se daquelas ilhas inóspitas e chegaram a surgir na imprensa notícias sobre esse desinteresse (sobre serem japonesas). Porém, explica o Governo de Tóquio, com a descoberta de recursos naturais à volta dos rochedos inabitados – gás natural –, Pequim voltou a reivindicar os territórios, que eram particulares e que o Governo japonês comprou em 2012.
 
 

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