Costa “perplexo” com “vazio de iniciativa política” do PS no encontro promovido por Soares

Presidente da Câmara de Lisboa comenta iniciativa que decorreu na quinta-feira organizada por Mário Soares em Defesa da Constituição.

António Costa pretende ser presidente da AML
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António Costa pretende ser presidente da AML Enric Vives-Rubio

O presidente da Câmara de Lisboa manifestou-se “um pouco perplexo” por o histórico socialista Mário Soares ter tido de acumular as tarefas de “liderança e mobilização” na iniciativa que decorreu na quinta-feira, perante a “o grande vazio de iniciativa política”.

António Costa comentava durante o programa Quadratura do Círculo, na SIC Notícias, a conferência em Defesa da Constituição organizada por Mário Soares e que decorreu na quinta-feira na Aula Magna em Lisboa, sendo o antigo primeiro-ministro e Presidente da República o único orador do Partido Socialista.

Apesar de o autarca reconhecer “especial autoridade” a Soares, considerou que “em condições normais o dr. Mário Soares não teria que se tirar dos seus cuidados para estar na liderança e mobilização de uma iniciativa deste tipo”. “O facto de o fazer representa também um grande vazio de iniciativa política, porventura designadamente por parte do Partido Socialista”, acrescentou, sem contudo fazer qualquer referência directa ao secretário-geral do partido, António José Seguro.

Porém, ainda no mês passado, no mesmo programa da SIC Notícias, António Costa considerou que o seu partido ainda não é uma “alternativa clara e imediata à actual solução governativa”, justificando na altura, num comentário ao resultado das eleições autárquicas, que via tanto na abstenção como nos votos brancos e nulos “um espaço de alternativa que ainda está por mobilizar”.

PS não é alternativa, diz Lobo Xavier
No mesmo programa desta quinta-feira, o comentador Lobo Xavier também criticou a ausência de socialistas na iniciativa de Soares, mas aí Costa interrompeu-o para defender que na assistência estavam muitos militantes, que simplesmente não falaram. “O PS é hoje um partido que não consegue mostrar que consegue ser uma alternativa e que consegue fazer diferente”, prosseguiu Lobo Xavier.

Já Pacheco Pereira, criticou as declarações do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, “rindo-se com aparente cinismo” quando comparou o caso de Portugal e da Irlanda “com dados errados”, sublinhando que Mário Soares “diz muita asneira” e que “é excessivo em muitas coisas” mas que desta vez “está do lado certo” e “o primeiro-ministro não”.

O encontro organizado por Mário Soares ficou marcado por aclamações ao ex-presidente da República, depois de este ter exigido a demissão do Presidente da República por não estar a cumprir a Constituição. Fosse na galeria superior como na inferior, a Aula Magna vaiava Cavaco Silva, chamava-lhe “cobarde” ao mesmo tempo que ovacionava o fundador do PS. E, no entanto, um pequeno grupo na primeira fila não aplaudia. Eram poucos, mas estavam ali a representar os partidos – Alberto Martins, líder parlamentar do PS estava de mãos no colo, assim como o ex-secretário-geral do PS Ferro Rodrigues. E ainda alguns comunistas, liderados pelo histórico Domingos Abrantes, que estavam na fila da frente.