Projecto português cria roteiro turístico europeu em torno das minas de volfrâmio

Iniciativa do Instituto de Ciências Empresariais e do Turismo do Porto tem já a adesão de várias minas portuguesas e vai ser alargado a outros países.

As minas da panasqueira já se associaram, com outras, a este projecto de valorização turistica
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Fundo para os Recursos Geológicos terá cerca de 22 milhões de euros de dotação Daniel Rocha/Arquivo

Um projecto português propõe-se criar um novo itinerário cultural europeu a partir das minas de volfrâmio, transformando antigas explorações mineiras em pólos de atracção turística numa rota que percorrerá vários países da Europa.

O projecto "Rotas do Volfrâmio na Europa – Memória dos Homens e Património Industrial" foi apresentado nesta sexta-feira em Bragança, onde a CORANE – Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina, será uma parceira da iniciativa.

A ideia está a ser desenvolvida, há dois anos, pelo Instituto de Ciências Empresariais e do Turismo do Porto e resultou de um desafio lançado pelo Instituto Europeu dos Itinerários Culturais do Conselho da Europa para a construção de uma rota que sinalize o património industrial no Norte de Portugal, explicou o coordenador Luís Ferreira.

"Entendemos que o Volfrâmio e as minas têm uma representatividade significativa no território e, neste contexto, desenhou-se um projecto que pretende, sobretudo, preservar um património que se vai perdendo e que está muito na memória dos homens, importa recolher esta memória, estes depoimentos, porque as gerações que trabalharam nas minas estão a desaparecer", explicou.

Portugal foi o principal produtor europeu de volfrâmio, que teve um papel significativo num dos maiores conflitos da história, a II Guerra Mundial. Há mais de três décadas que a maioria das explorações mineiras estão desactivadas, mas ficaram as memórias e o património que o projecto quer transformar num novo atractivo cultural europeu.

"Pretendemos ainda valorizar os territórios do ponto de vista do desenvolvimento local muito ancorado no turismo, na cultura, no património, na gastronomia, no artesanato, nas tradições, de forma a que a identidade de um povo perdure para as gerações vindouras", adiantou o coordenador.

Do ponto de vista da Europa, esta rota é, segundo ainda o responsável, "extremamente importante, na medida em que o volfrâmio esteve associado a um grande conflito bélico e importa numa Europa de paz fazer lembrar às gerações vindouras a importância da preservação desta mesma paz".

O projecto conta já com a parceria das minas de Rio de Frades, Regoufe, Chãs, Moimenta, Vale das Gatas, Borralha, Carris, Ribeira, Argozelo e Panasqueira. A intenção é alargar a rota de Portugal para várias outras regiões europeias, nomeadamente da Galiza (Espanha), França, Inglaterra, Alemanha, Áustria, Suécia e República Checa.

Os promotores estão ainda a elaborar o dossier da candidatura a Itinerário Cultural Europeu, que perspectivam que esteja pronto até Setembro de 2014. O projecto não tem um orçamento nem um prazo de execução, com o coordenador a explicar que os investimentos ficarão a cargo dos parceiros locais e a sua execução "para várias gerações".

As minas de Argozelo, no concelho de Vimioso, associaram-se à iniciativa e estão a ser alvo, desde 2002, de um investimento de 260 mil euros para tornar o local visitável, nomeadamente através da criação de um centro interpretativo, segundo o presidente da câmara, Jorge Fidalgo. O objectivo da CORANE neste projecto é "salvaguardar este património cultural", como realçou Filipe Marrão, da associação, que realizou já um levantamento fotográfico das minas e um registo das memórias de antigos mineiros da região.
 

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