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"Call of Duty" é melhor do que chocolate

A série “Call Of Duty” é a minha única experiência multiplayer a sério. A sério porque despejei centenas de horas ao longo dos últimos seis/sete anos no modo “Free For All”: gosto de jogar sozinho e da liberdade de poder matar qualquer um num cenário

Nos últimos anos, por esta altura, repito até me convencer de que este é o ano em que não vou comprar um “Call Of Duty”. Houve anos em que a decisão demorou meses, noutros semanas e no caso do ano passado acho que foram duas horas até eu me aperceber que se tivesse a edição especial poderia jogar na nova versão do mapa “Nuketown”. Era tudo o que eu queria (é pequenino, condensado e há muita confusão-rapidez: é o futsal de “Call Of Duty”).

Este ano ainda não comprei “Call Of Duty: Ghosts”. Nem me tenho forçado a convencer porque não tem sido preciso. E neste momento nem sei se alguma vez o irei comprar. Talvez me dedique mais ao “Battlefield 4” ou talvez não precise de um deles, sequer, porque o meu copo de gratificação instântanea do quarto trimestre já está cheio com “Grand Theft Auto V”.

A série “Call Of Duty” é a minha única experiência “multiplayer” a sério. Despejei centenas de horas ao longo dos últimos seis/sete anos no modo “Free For All”: gosto de jogar sozinho e da liberdade de poder matar qualquer um num cenário. Não existe outro multiplayer em que tenha despejado centenas de horas. Ao longo dos anos nesta geração de consolas a minha opção por “Call Of Duty” foi automática ao ponto de nem sequer ter começado o modo “single player” nalguns deles. Porque o haveria de fazer quando o “multiplayer” é tudo aquilo que eu preciso durante uns meses?

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É uma fórmula bem oleada e infalível. Um modo que trabalha e aproveita bem a frustração do jogador, oferecendo-lhe sempre esperança com os milhares de gratificações constantes que tem para distribuir. Ao contrário da maior parte das coisas na nossa vida, sentimos sempre que a cada minuto de “Call Of Duty” estamos a andar para a frente. Mesmo que estejamos estendidos no chão à espera de fazer “respawn”.

A isto junta-se a sua velocidade frenética a 60 fps, uma escolha que acelera o nosso desejo de gratificação e intensifica a necessidade de chegarmos até ele. Com tudo isto é difícil ser-se racional do jogo, mas lutar por isso é também parte do desafio. E também se é premiado por ter alguma cabeça fria.

Nos últimos anos entre Novembro e Dezembro jogo imenso “Call Of Duty”. Já aconteceu arrastar-se por mais meses, mas há dois anos parar de jogar em Janeiro tornou-se na única resolução de ano novo que sou capaz de cumprir. Não me custa, há algo de desgastante na fórmula de “Call Of Duty” e quando ganho consciência disso torna-se fácil recuar. Talvez a experiência me ajude a afastar. Talvez seja feitio.

Percebo perfeitamente quem não o faz, porque não consegue ou não quer fazer. É melhor do que chocolate. E é mais satisfatório em grande escala do que a maioria dos produtos de entretenimento que temos em casa. E podemos jogar sozinhos, com amigos, com bebés a chorar ao lado (nunca experimentei, mas pelo barulho que me chega aos ouvidos há muita gente a exercer formas pouco saudáveis de “babysitting” em suas casas), com adolescentes russos muito irritados e com o trabalho, às vezes, ali ao lado a acumular. Quase de certeza que, de alguma forma, “Call Of Duty” satisfaz-nos ao ponto de acharmos que o trabalho ficará feito se jogarmos mais “Call Of Duty”.

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