Será o Brasil uma potência emergente?

O Brasil tem a sexta maior economia mundial e um mercado potencial de mais de duzentos milhões de indivíduos

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Eduardo Beltrame

O primeiro passo para afirmar se o Brasil é ou não uma potência emergente é a própria definição do que é ou não uma potência emergente.

Para que um país possa ser incluído nesta definição tem de cumprir três requisitos: apresentar um crescimento económico consistente nos últimos anos, ter uma capacidade económica relevante no contexto mundial e apresentar sérias perspetivas de crescimento para o futuro.

Antes de tentar enquadrar o Brasil dentro dos três requisitos que apresentei irei explicar porque razão considero que outros indicadores não são condição "sine qua non" para se considerar uma nação uma potência emergente.

A primeira questão que gostaria de abordar prende-se com as desigualdades na distribuição de rendimentos. O Brasil apresentava em 2009 um índice de Gini (indicador percentual das desigualdades económicas) de aproximadamente 54%, um valor bastante acima do que apresenta, por exemplo, Portugal (35,4%). Não obstante, o Brasil tem feito esforços consideráveis numa tentativa de redução das disparidades de rendimentos entre os seus cidadãos, podemos verificar que desde 1989 até 2009 o Brasil reduziu este indicador em aproximadamente 10 pontos percentuais. Os Estados Unidos da América pelo contrário tiveram desde 1990 até 2009 um aumento deste índice em cerca de 5 pontos percentuais apresentando em 2009 um valor do índice de Gini correspondente a 46,8%.

Desigualdades

Não é, portanto, pela existência de um grande fosso entre ricos e pobres no Brasil que este deixará de ser uma potência emergente, até porque países com grande poderio económico como os EUA e a China também apresentam um elevado nível de desigualdades.

Põe-se agora a questão de o Brasil ter um baixo PIB per capita. O Brasil apresenta relativamente a este indicador metade do valor apresentado por Portugal. Ao verificarmos indicadores como este ou o Índice de Desenvolvimento Humano podemos perceber que o nível de vida médio no Brasil, tal como na China e na Índia, não é tão elevado como na Europa. No entanto, para a nossa definição de potência emergente, isso não é relevante.

A lógica é simples: um país que produz muita riqueza poderá aumentar a qualidade de vida dos seus cidadãos, a velocidade a que o fará depende, claro está, das políticas tomadas. O Brasil, tendo uma democracia consolidada juntamente com uma população que começa a exigir, cada mais, políticas justas e transparentes, tem todas as potencialidades para aumentar o nível de vida dos seus cidadãos.

Irei voltar agora ao ponto inicial e tentar enquadrar o Brasil nos requisitos que apresentei.

Desde 2003, ano em que Lula da Silva assume as funções de presidente, o produto interno bruto brasileiro passou de 552 milhares de milhões de dólares para 2,25 triliões de dólares em 2012. Neste momento, o Brasil tem a sexta maior economia mundial e um mercado potencial de mais de duzentos milhões de indivíduos pelo que cumpre os dois primeiros requisitos para ser uma potência emergente.

Sabemos também que todas as condições económicas, quer em termos de recursos naturais, quer em termos do fator trabalho, existem para que o Brasil possa continuar a crescer no futuro e confiando na previsão da Goldman Sachs, que estima que o Brasil será em 2050 a quarta maior economia do mundo, podemos prever que cada vez mais a economia brasileira assumirá uma maior importância em termos mundiais.

E, no fim de contas, nada é mais relevante que o poder económico na arquitectura mundial.

*O texto não vincula o NOVA Debate, expressando exclusivamente a opinião do autor. NOVA Debate – Juntamos Saber