Jorge Jesus interrogado segunda-feira no DIAP devido a incidentes em Guimarães

Treinador do Benfica envolveu-se com agentes da PSP no final da partida.

Jesus incorre nos crimes de resistência e desobediência à autoridade pública
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Jesus incorre nos crimes de resistência e desobediência à autoridade pública Reuters/Miguel Vidal

O treinador da equipa de futebol do Benfica, Jorge Jesus, vai ser interrogado na segunda-feira pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, como arguido no inquérito aos incidentes no final do jogo com o Vitória de Guimarães.

Fonte judicial adiantou neste domingo à agência Lusa que o interrogatório de Jorge Jesus resulta de uma carta precatória enviada para Lisboa pelo Tribunal de Guimarães, onde o inquérito corre na 2.ª secção do Ministério Público (MP). Jorge Jesus será ouvido no DIAP de Lisboa pelas 10h.

A carta precatória é um instrumento utilizado pela Justiça quando existem pessoas de um mesmo processo em comarcas diferentes, sendo basicamente um pedido que um juiz envia a outro de outra comarca para a realização de uma diligência processual, porque o arguido ou testemunha está fora do território de jurisdição do tribunal competente para julgar o caso.

O MP terá arrolado como testemunhas no inquérito polícias que prestavam serviço no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, a 22 de Setembro, e que são os queixosos no processo.

Pelo seu comportamento no final do desafio, Jorge Jesus pode responder pelos eventuais crimes de resistência e desobediência à autoridade pública (punido com pena de prisão até cinco anos) e ofensa à integridade física dos agentes policiais. O arguido não tem quaisquer antecedentes criminais.

No final do jogo com o Vitória de Guimarães, da 5.ª jornada da I Liga, Jorge Jesus intrometeu-se numa acção da polícia que tentava travar adeptos benfiquistas que invadiram o relvado para celebrar a vitória do Benfica, por 1-0. Os factos foram transmitidos em directo pela Sport TV.

Juristas ouvidos pela agência Lusa entendem que quando os factos em causa no inquérito-crime foram transmitidos em directo, passando nesse momento a serem do domínio público, o segredo de justiça nesta fase processual não faz muito sentido, embora persista na lei.