Um retrocesso no feminino

Um estudo da agência Reuters junto de peritos em questões de género no mundo árabe mostra que a situação das mulheres piorou nos países da Primavera Árabe. O caso mais gritante é o do Egipto, que se tornou o país mais mal classificado neste ranking - abaixo da Arábia Saudita -, apesar do papel activo desempenhado pelas mulheres no levantamento contra Mubarak, em 2011. No Egipto, 99% das mulheres são vítimas de assédio. O número impressiona, por não deixar quase ninguém de fora. Na Tunísia e na Líbia, países da Primavera Árabe, as mulheres também perderam direitos, devido à ascensão dos movimentos islâmicos. As esperanças de liberdade transformaram-se num Outono de opressão. E se uma maior tomada de consciência das mulheres é o dado positivo a reter, este retrocesso é talvez o dado mais revelador de como o peso da religião impede a mudança nestas sociedades que a Primavera Árabe parecia prometer.