FMI diz que Governo "acabou por concordar" com défice de 4%

Paulo Portas tinha dito no final da visita da troika que o Executivo tentou, "da primeira à última fase das negociações", que o défice fosse de 4,5%

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Paulo Portas garantiu que o Governo tentou até ao fim que a meta do défice fosse de 4,5%

O Fundo Monetário Internacional apresentou esta quarta feira uma versão diferente da do Governo em relação à forma como decorreram as negociações na oitava e nona avaliações do programa português.

Enquanto o Governo tem dito, já depois de concluída a última visita da troika a Portugal, que tentou, sem sucesso,  convencer a troika de que o objectivo de défice público para 2014 deveria ser de 4,5%, mantendo a posição de uma flexibilização das metas teria sido desejável, o FMI diz que, apesar de essa ser a opinião inicial das autoridades portuguesas, o Governo "acabou por concordar" com os argumentos que justificam que a meta do défice se tivesse mantido nuns mais exigentes 4%.

"As autoridades [portuguesas] sentiam inicialmente que a flexibilização do objectivo do défice era justificada para reduzir a carga orçamental que pesa sobre uma retoma económica ainda incerta, mas acabaram por concordar com a visão dos técnicos [do Fundo]", afirma o relatório.

Esta visão do FMI, com que o Governo agora concordará, passa pela apresentação de vários argumentos para a manutenção de um objectivo de défice de 4% em 2014. O primeiro é o de que "os argumentos económicos para uma revisão da meta do défice são fracos tendo em conta a melhoria do cenário na economia". O segundo é a existência de um "elevado e ainda crescente nível de dívida pública". Depois é a manutenção de "difíceis condições de financiamento para o Estado português". E por fim, a ideia de que "ajustamentos recorrentes dos objectivos do programa conduziriam a uma erosão da credibilidade que já tinha sido abalada pela instabilidade política do Verão".

O FMI diz ainda que "nesta conjuntura, eles [os membros do Governo] reconheceram que o ajustamento estrutural em 2013 foi relativamente modesto e que precisava de ser acelerado"

Paulo Portas, um dos protagonistas da instabilidade política, defendeu, antes de se estrear nas suas novas competências de coordenação das negociações com a troika, que Portugal deveria fazer valer os seus pontos de vista de forma mais incisiva, mostrando também preocupação com o impacto do esforço de redução do défice na economia.

E no dia seguinte ao final das negociações, o vice-primeiro-ministro descreveu o diálogo com a troika, afirmando que "o Governo defendeu um objectivo mais adequado [para o défice] como já tinha feito em Abril", mas que "a troika não revelou abertura nesta matéria". E, para não deixar dúvidas em relação ao esforço feito pelo Governo em relação a este assunto em concreto, disse: "É importante que os portugueses saibam que, da primeira à última fase das negociações, o Governo de Portugal defendeu o que considerava ser melhor para o interesse nacional. É isso que se espera de um Governo".

Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial do gabinete do vice primeiro ministro reitera que "até à ultima fase das negociações se manteve o objectivo de défice de 4,5% e que, não sendo este possível, teve de haver um alinhamento de posições". "Nesse sentido, não se identifica uma contradição nessa passagem do relatório", afirma.
 
 
 
 

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