Durão Barroso: "Gostaríamos de ter mais Alemanhas na Europa"

Comissão Europeia vai abrir uma investigação aprofundada sobre o excedente externo da Alemanha.

Durão Barroso
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Durão Barroso Foto: François Lenoir/Reuters

A Comissão Europeia confirmou esta quarta-feira a abertura de uma investigação aprofundada sobre o excedente externo da Alemanha, embora sublinhando que a decisão, imposta pelas regras comunitárias, não constitui uma crítica à competitividade da maior economia dos 28.

A decisão foi tomada ao abrigo dos novos procedimentos europeus destinados a detectar de forma precoce a emergência de desequilíbrios macroeconómicos excessivos nos Estados membros capazes de desestabilizar o euro.

No caso da Alemanha, a decisão dos comissários limita-se por enquanto à abertura de uma análise aprofundada para determinar as causas dos seus elevados excedentes externos que rondaram 7% do PIB nos últimos três anos. Este valor está acima do limiar de 6% do PIB a partir do qual este indicador é considerado potencialmente problemático para a zona euro e que obriga Bruxelas a analisar as suas causas. Segundo a Comissão, o excedente alemão permanecerá neste nível nos próximos anos, o que prova que "não é um fenómeno cíclico de curta duração".

A abertura da investigação, altamente polémica na Alemanha, "não significa que haja um desequilíbrio" macroeconómico, contemporizou Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia. Essa decisão só será tomada no final da análise, na próxima Primavera, altura em que Bruxelas decidirá se se justifica ou não emitir uma recomendação formal para o Governo alemão tomar medidas destinadas a corrigir a situação.

O problema para a Europa não é que a Alemanha seja competitiva mas que os outros países estão "longe desse nível de competitividade", afirmou Barroso, frisando que a decisão dos comissários "não deve ser entendida como um desacordo da Europa relativamente à competitividade" da economia alemã. "Pelo contrário (...) gostaríamos de ter mais Alemanhas (...) na Europa", afirmou, precisando: "o nosso problema nunca será a competitividade da Alemanha mas se a Alemanha, enquanto motor económico da União Europeia, pode fazer mais" em favor da economia europeia.

O excedente alemão, resultante de uma elevada taxa de poupança conjunta com baixos níveis de investimento, poderá ter como consequência uma apreciação do euro face às outras moedas internacionais, frisa Bruxelas. Esta perspectiva é considerada uma catástrofe para os países do sul da Europa, a par da França, que precisam desesperadamente de se apoiar nas exportações para relançar a economia. Uma apreciação do euro "tornará mais difícil para os países periféricos recuperar competitividade através de desvalorizações internas", reconhece a Comissão. 

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