Eleições no PSD de Lisboa movimentam alas barrosista e cavaquista

Pedro Rodrigues avançou contra o actual líder e tem a seu lado Nuno Morais Sarmento. Eleições disputam-se hoje.

O ex-líder da JSD Pedro Rodrigues, com o apoio de Nuno Morais Sarmento (antigo ministro de Durão Barroso), disputa hoje as eleições na distrital de Lisboa do PSD contra o actual líder, Miguel Pinto Luz, que tem na sua lista Pedro Pinto, vice-presidente do partido. São eleições que resultam dos maus resultados autárquicos em Lisboa (sobretudo em Sintra), mas que muitos vêem como movimentações do partido para o período que se segue à liderança de Passos Coelho.

A lista de Pedro Rodrigues, que saiu recentemente de chefe de gabinete do ministro Poiares Maduro, apresenta como candidato à mesa da Assembleia Nuno Morais Sarmento, um homem forte de Durão Barroso, que tem estado afastado da vida partidária e que é comentador na RTP e na Rádio Renascença. Pedro Rodrigues é apoiado por figuras como Alexandre Relvas (director de campanha presidencial de Cavaco Silva), o eurodeputado Mário David (que apoiou Ferreira Leite), e Rui Gomes Silva (ministro dos Assuntos Parlamentares de Santana Lopes). Mas tem ainda Vasco Pinto Leite, que foi da direcção de Passos Coelho.

Miguel Pinto Luz, por seu turno, assume ser um apoiante de primeira linha do primeiro-ministro e tem a seu lado Pedro Pinto (tal como nas últimas eleições). O vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais conquistou o apoio de nove das dez concelhias de Lisboa e de nomes como Braga de Macedo e Diogo Leite Campos (ambos do círculo próximo de Passos Coelho), bem como Manuel Rodrigues (secretário de Estado das Finanças).

O actual líder da distrital diz "prezar muito a liberdade e autonomia" para expressar as suas opiniões. "Tenho a liberdade de criticar, não fui membro de Governo nem chefe de gabinete. Esta distância permite-me criticar quando tenho de criticar e elogiar quando tenho de o fazer", afirmou ao PÚBLICO naquele que é um recado directo para Pedro Rodrigues, que nos últimos meses fez parte da equipa do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional.

O avanço de Pedro Rodrigues, advogado, é visto como uma forma de marcar terreno para o congresso do partido (em Fevereiro) e até para o período após o fim da liderança de Passos Coelho. O ex-líder da JSD recusa "rotular" a sua candidatura "com o que quer que seja". Assume que avançou por "sobressalto de consciência" para "reatar a confiança" da distrital com os militantes e combater "a tremenda apatia" daquela estrutura. "A liderança de Pinto Luz desistiu de discutir política", afirma Pedro Rodrigues, que foi apoiante de Paulo Rangel à liderança do PSD.

Miguel Pinto Luz contraria a ideia de falta de debate e responde: "Essas pessoas, não as vejo há muito tempo, vejo-as na televisão enquanto comentadores".

Num ponto ambos estão de acordo: é preciso reflectir o motivo que levou muitos sociais-democratas a apoiarem candidaturas independentes.