Polícias prometem encher galerias do Parlamento e entregam memorando contra cortes no MAI

Agentes em protesto simbólico contra a austeridade quando é debatido orçamento para a Administração Interna.

Suspeitos tentaram fugir mas foram interceptados pela PSP pouco depois
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Suspeitos tentaram fugir mas foram interceptados pela PSP pouco depois Manuel Roberto

As galerias do plenário na Assembleia da República (AR) deverão ficar nesta sexta-feira repletas de agentes da PSP, esperam os sindicatos. O protesto simbólico pretende marcar a discussão na especialidade da parte do Orçamento de Estado (OE) para 2014 referente à área do Ministério da Administração Interna (MAI).

“Vamo-nos concentrar a partir das 9h30 junto ao Parlamento para depois encher as galerias a partir das 10h”, disse ao PÚBLICO o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL), Armando Ferreira, porta-voz nomeado desta acção concertada da maioria dos mais de dez sindicatos afectos aos agentes da PSP.

Aquele dirigente adiantou ainda ao PÚBLICO que são esperadas centenas de polícias – que não estarão de serviço - e que a lotação das galerias atinge as cerca de 300 pessoas. “Pelo menos do SINAPOL, contas feitas através de quem já garantiu ir, vão 100 elementos”, aludiu.

A iniciativa surge como protesto às medidas que os sindicatos consideram lesivas no OE. Os agentes trajarão à civil e não está previsto que enverguem qualquer elemento que os identifique como agentes da PSP. “Não vamos levar nada. O protesto silencioso será feito com total respeito pelo órgão de soberania que é a AR”, disse ainda o presidente do SINAPOL.

Agentes concentrados em frente à AR
Manhã cedo, os agentes aguardarão na habitual fila de entrada para as galerias da AR num procedimento normalmente longo – a que são sujeitos todos os cidadãos – que implica a sua identificação. “Se não for possível entrarem todos os agentes, os restantes ficarão no exterior da AR. Ficarão concentrados e não em manifestação. Não foi convocada nenhuma manifestação e espero que amanhã não haja dúvidas quanto a isso”, sublinhou Armando Ferreira.

Os polícias entregarão também à presidente da AR, Assunção Esteves, um memorando, assinado pela maioria dos sindicatos, contra a austeridade infligida na área da segurança interna. No documento, admitem que a qualidade da segurança pública prestada aos cidadãos poderá ficar em causa com os cortes.

“Caso o Governo insista em levar adianta algumas das medidas de austeridade anunciadas, as consequências poderão ser imprevisíveis. Não é despiciendo afirmar que a qualidade da segurança dos portugueses vai ser afectada”, salienta o documento em que os sindicatos alertam ainda para o envelhecimento do efectivo da PSP.

Para além dos cortes previstos na Segurança Interna, estão ainda em causa os cortes salariais, a suspensão das pré-reformas, a proibição de novas admissões e a redução das transferências para o subsistema de saúde da PSP.
O mesmo memorando será à tarde entregue aos presidentes de câmara das capitais de distrito. A partir das 16h, grupos de polícias concentram-se junto aos paços do concelho dessas localidades em protesto.

A Comissão Coordenadora Permanente (CCP), que junta sindicatos de todas as forças de segurança, convocou também uma manifestação para 21 de Novembro – dia da votação do OE na especialidade – em frente ao Parlamento.