Preços dos alimentos nos mercados internacionais estão mais estáveis

Melhoria do abastecimento e recuperação das reservas mundiais de cereais ajudam a equilibrar preços, diz a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Brasil é o maior produtor mundial de açúcar
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Brasil é o maior produtor mundial de açúcar Pedro Cunha/Arquivo

O aumento da produção e das reservas mundiais de cereais está a ajudar a estabilizar os preços dos alimentos nos mercados internacionais. De acordo com um relatório da FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, divulgado nesta quinta-feira, há menos volatilidade nos preços do que nos últimos anos, graças à melhoria do abastecimento.

Nos Estados Unidos, houve uma recuperação das culturas de milho e na Comunidade de Estados Independentes (organização governamental composta pelas antigas repúblicas soviéticas) as colheitas de trigo atingiram níveis recordes. A produção mundial de arroz em 2013 “deve observar apenas um crescimento modesto”, refere a FAO.

David Hallam, director da Divisão de Comércio e Mercados da FAO, explica que os preços da maioria dos produtos alimentares básicos “têm baixado nos últimos meses”. “Isto resulta do aumento da produção e da expectativa de termos um aumento de abastecimento na actual temporada, maiores quantidades para exportação e reservas mais altas”, afirmou.

A FAO estima que as reservas mundiais de cereais, que terminam em 2014, terão um aumento de 13% para 564 milhões de toneladas. Trigo e arroz devem subir 7% e 3%, respectivamente. “A expansão das reservas mundiais de cereais vai traduzir-se num rácio de reservas/utilização mundial de cereais situado nos 23%, muito acima do mínimo histórico de 18,4% em 2007/08”, diz a FAO.

Aquicultura em vias de ultrapassar pesca de captura
A organização divulgou também o seu índice de preços que subiu ligeiramente em Outubro, para uma média de 205,8 pontos, mais 1,3% face a Setembro, mas ainda 11 pontos (5,3%) abaixo do seu valor de Outubro de 2012. Este aumento é atribuído, nomeadamente, a uma subida dos preços do açúcar.

O consumo deste produto deverá crescer cerca de 2% em 2013 e 2014, mas a produção mundial deverá crescer apenas ligeiramente. No Brasil, o maior produtor e exportador do mundo, as condições climatéricas desfavoráveis prejudicaram as colheitas.

A FAO prevê que a produção mundial de carne aumente 1,4% em 2013 e os preços estão historicamente altos desde 2011, não havendo qualquer indício de descidas. O consumo de peixe também continua a aumentar, muito impulsionado pela aquicultura que está em vias de ultrapassar a pesca de captura como a principal fonte de abastecimento de pescado para consumo humano.