Imprensa espanhola: Pescanova quer “livrar-se” da fábrica de Mira

Unidade considerada de referência e onde a empresa investiu 140 milhões de euros converteu-se “num lastro”.

Pescanova investiu 140 milhões em Mira
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Pescanova investiu 140 milhões em Mira Adriano Miranda

A empresa espanhola Pescanova, actualmente em pré-concurso de credores, quer “livrar-se” da sua unidade de aquicultura em Mira por considerar que o projecto não é estratégico e acumular prejuízos.

A notícia é avançada, nesta quinta-feira, pelo jornal La Voz de Galicia que refere que a unidade – onde a Pescanova investiu 140 milhões de euros - “se converteu agora num lastro”.

O jornal cita fontes anónimas que referem que a unidade portuguesa está na lista de activos não estratégicos do grupo e que o futuro passa pelo desinvestimento da unidade de Portugal, “que desde a sua inauguração, em 2009, só representou perdas”.

Recorde-se que a empresa Acuinova Portugal estava inicialmente para ser instalada na zona de Touriñán, mas o então Governo de coligação do PSOE e do BNG impediu a sua construção alegando que aquela era uma zona protegida.

O então presidente da Pescanova, Manuel Fernández de Sousa, mudou o projecto para Portugal com o objectivo de criar a maior unidade de rodovalho do mundo, capaz de produzir 7000 toneladas por ano, refere a imprensa. Números que não se cumpriram, tendo a fábrica produzido apenas 2880 toneladas em 2010, 3931 em 2011 e 4397 toneladas no ano passado.

O jornal refere que esses resultados se devem a graves falhas na infra-estrutura, que levaram a Pescanova a apresentar uma queixa contra a Sacyr por defeitos de construção que ocasionaram vários acidentes e prejuízos superiores a 50% da produção.

Fontes da Acuinova Portugal insistem que a unidade é viável e garantem que a produção deverá ser retomada em 2014.

Em Agosto, fonte da unidade em Mira disse à Lusa que o fecho da fábrica em Mira “não é um tema em cima da mesa” e que a unidade, investimento contestado pelo antigo presidente do grupo espanhol, continua a ser “viável”. Na altura, o vice-presidente da câmara municipal de Mira, Miguel Grego, considerou que a imprensa espanhola “nunca gostou que o investimento tivesse ido para Mira, pois defendiam-no para a Galiza”, notando também “um ‘revanchismo’ claro” e “um acertar de contas” do ex-administrador da Pescanova Alfonso Paz-Andrade por “não ter conseguido o investimento” para a comunidade autónoma espanhola.

Na próxima semana, os accionistas, credores e administradores da Pescanova deverão conhecer a versão definitiva de um plano de viabilidade para a empresa preparado pela consultora PwC.