Paulo Pereira Cristóvão: “Não disse tudo o que sei sobre algumas personagens”

O antigo vice-presidente do Sporting apresentou o livro onde resume a sua passagem pela direcção "leonina". Sobre Bruno de Carvalho diz que não gosta da pessoa.

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Pereira Cristóvão: "Quero repor aquilo que é a verdade" Nuno Ferreira Santos

Com poucos rostos do passado recente do Sporting e ainda menos do presente. Quase só amigos e família. Foi assim que Paulo Pereira Cristóvão apresentou nesta quinta-feira em Lisboa o seu livro “444 dias - É fraqueza entre ovelhas ser leão” (Âncora Editora), respeitante ao período entre Março de 2011 e Junho de 2012 em que foi vice-presidente do clube “leonino”, durante a presidência de Luís Godinho Lopes.

O livro documenta a passagem do antigo inspector da Polícia Judiciária pelo Sporting e, durante a apresentação, deixou a ressalva de muita coisa ter ficado por escrever. “Não disse tudo o que sei sobre algumas personagens, mas o que disse é tudo verdade”, afirmou Pereira Cristóvão, cujo principal objectivo com este livro foi dar a sua versão sobre o caso Cardinal. “Quero repor aquilo que é a verdade. Entendi que devia deixar este legado histórico e encerrar este capítulo da minha vida de uma forma que vai perdurar”, observa.

Foi, aliás, a partir do momento em que se iniciou um processo de averiguação sobre este caso na PJ que Pereira Cristóvão decidiu escrever o livro, entendendo que foi “vítima de inveja e intriga”. Nas páginas que dedica a este caso que envolve José Cardinal, o árbitro assistente em cuja conta foram depositados dois mil euros, alegadamente com a intenção de o incriminar por corrupção, e em que Pereira Cristóvão é acusado de denúncia caluniosa por, segundo a acusação, ter sido o mandante, o antigo dirigente “leonino” diz que foi Rui Martins, seu colaborador na altura, a agir por iniciativa própria.

“Nunca acreditei que alguém com um mínimo de inteligência acreditasse que eu tivesse voluntariamente a ver com uma cena amadora daquelas […]. Tudo seria viável em termos de hipótese no caso de eu estar senil”, escreve Pereira Cristóvão, que também criticou a actuação das autoridades policiais e judiciais neste caso. Na apresentação, o antigo vice do Sporting referiu que este processo ficou marcado por “infracções disciplinares e criminais” e que não teve como objectivo “servir a justiça, mas atingir um alvo”.

Pereira Cristóvão não descartou completamente voltar a ser dirigente do Sporting. “A vida já me ensinou a ter humildade suficiente para não dizer como será o futuro”, frisou, acrescentando que não gosta de Bruno de Carvalho, actual presidente do Sporting: “Prefiro dizer que não gosto da pessoa, ele também não gostará de mim, mas tenho a frieza para dizer que ele é o presidente do Sporting, é o meu presidente e é a pessoa que está à frente dos destinos do meu grande amor.”

Sem se alongar muito em comentários sobre a actual direcção, Pereira Cristóvão apenas diz que “os sportinguistas têm de apoiar esta direcção e os jogadores e treinadores que envergam a nossa camisola”, mostrando-se confiante para o jogo do próximo sábado na Luz, com o Benfica: “Quero é ganhar. É um jogo contra o rival, que tem individualidades mais caras, mas parece-me que o Sporting tem mais equipa.”