Juros da dívida portuguesa a 10 anos abaixo dos 6%, o que não acontecia desde Junho

Tendência de queda é generalizada a todos os prazos.

Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças
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Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças Nuno Ferreira Santos

Os juros das Obrigações do Tesouro nacionais estão a negociar-se esta quarta-feira abaixo dos 6%, uma barreira que não era quebrada desde a crise política na coligação governamental, no Verão passado.

Acompanhando a tendência de queda de juros das obrigações europeias, os títulos de referência da dívida portuguesa estavam a negociar-se, ao início da tarde, nos 5,932%, de acordo com os dados da Reuters. Também as obrigações a cinco anos quebraram a barreira dos 5% e a tendência de queda estende-se aos restantes prazos.

Os juros das obrigações a 10 anos negociaram-se abaixo dos 6% em Junho passado, mas disparam para 8% na sequência da crise entre a coligação PSD/CDS-PP. A queda de juros no mercado secundário é positiva para o país, tornando mais baratas futuras emissões de dívida, a realizar no mercado primário. 

A generalidade das obrigações europeias está a negociar-e em queda, uma tendência que é em parte explicada pela expectativa de corte de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE). A expectativa de um grande número de economistas vai no sentido de manutenção da taxa de juro por parte do BCE, na reunião de amanhã, mas há forte probabilidade de que a instituição avance com um corte de taxas em Dezembro.

As taxas de referência do BCE estão actualmente no mínimo histórico de 0,5%.

Passos Coelho espera que descida do juro seja “bom augúrio”

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, citado pela Lusa, manifestou satisfação, em Bruxelas, por a taxa de juro da dívida de Portugal a 10 anos ter voltado a descer para valores abaixo dos 6%, dizendo esperar que tal constitua “um bom augúrio”.

No final de uma conferência de imprensa conjunta com o presidente da Comissão Europeia, e já depois de esta ter sido dada por concluída, Passos Coelho pediu ainda a palavra para se referir à “trajectória descendente” das taxas de juro de dívida, que disse ser um dos elementos que melhor espelha “a confiança do mercado”.

“Espero que seja um bom augúrio que, precisamente no dia em que nós estivemos aqui com o colégio de comissários, em Bruxelas, tivéssemos conseguido voltar a quebrar a barreira dos 6% na taxa de juro a 10 anos. Que isso seja um bom augúrio para os próximos tempos, para Portugal e para a Europa”, declarou o primeiro-ministro.

“Tem de voltar mais vezes à Comissão”, ripostou ironicamente o presidente da Comissão, Durão Barroso.