Rui Tavares recusa ser candidato pelo PS às europeias

Francisco Assis (PS) gostaria que Rui Tavares integrasse as listas do PS nas próximas eleições europeias, em Maio. Mas a proposta divide os socialistas.

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O eurodeputado, que  integra o Grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, depois de em 2011 ter entrado em rota de colisão com o BE,  defende que “a esquerda deveria ter uma candidatura conjunta que integrasse, pelo menos, dois dos três partidos: PS, PCP e BE”.

Rui Tavares, que tem defendido "um novo espaço de liberdade à esquerda", que pode passar pela criação de um novo partido, lamenta que a esquerda, ao contrário da direita, não consiga "convergir". Apesar de reconhecer que até 25 de Maio de 2014, data das eleições europeias, o tempo "é muitíssimo curto", adianta que não se vai "conformar com as esquerdas que não falam entre si". E descarta a possibilidade de aceitar um convite do PS para as próximas europeias: "Não estou interessado num lugar nas listas do PS para as europeias. Tenho muitas proximidades com o PS, BE e PCP em questões sociais, mas fui bastante crítico do Tratado Orçamental, que considerei um monstro contra a União Europeia e que o PS aprovou.”

Mesmo no interior do PS não existe unanimidade em relação à proposta de Francisco Assis que, em declarações ao Diário de Notícias, disse que veria com "interesse" que Rui Tavares integrasse as próximas listas do PS ao Parlamento Europeu. Assis tem sido o nome apontado para cabeça de lista do PS nas eleições que terão lugar em Maio.

Álvaro Beleza, adjunto do secretariado socialista, assumiu ao PÚBLICO as suas reticências sobre a proposta de Assis. Ressalvando o facto de ter “alguma simpatia pessoal” por Rui Tavares, o socialista não deixa de sublinhar o seu distanciamento em relação a algumas posições do eurodeputado. “Eu entendo que os partidos são essenciais à democracia, e tenho alguma dificuldade em aceitar o seu discurso anti-partidos”, refere Beleza. E explica porquê: “Foi assim, com esse tipo de discurso, que começou o fascismo nos anos 30 do século passado.”

Rui Tavares defende ainda primárias abertas para a escolha dos candidatos, em vez do actual modelo de "convite" dos partidos. "A lógica do convite para os lugares de representação está esgotada e deve ser superada. Os partidos tendem a ser mais exigentes em termos de disciplina com os independentes do que com os militantes", avalia Rui Tavares.