Crato diz que portugueses teriam de "trabalhar mais de um ano sem comer" para pagar a dívida

Marco António Costa acusa o PS de se ter fechado "dentro de um casulo".

Nuno Crato
Foto
Nuno Crato Nuno Ferreira Santos

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, que na noite desta segunda-feira esteve em Ovar numa sessão de esclarecimento sobre o Orçamento do Estado para 2014, garante que não é através da injecção de dinheiro na economia que o país cresce. "A pura injecção de dinheiro na economia provoca distorção no sistema produtivo. A economia recupera quando há trabalho bem orientado e quando se consegue ser competitivo".

Para Nuno Crato, os sinais "ténues" de crescimento não podem ser ignorados. "Portugal entrou numa espiral responsável", refere. Mas antes, o governante lembrou que, neste momento, os portugueses teriam de "trabalhar mais de um ano sem comer e sem utilizar transportes só para pagar a dívida". 

"Estamos no sistema monetário do euro, não temos uma máquina de imprimir dinheiro", avisa o ministro, que faz questão de lembrar os sinais positivos.

Também em Ovar, Marco António Costa acusou o PS de se fechar ao diálogo. "O PS fechou-se dentro de um casulo e recusa permanentemente o diálogo", disse o porta-voz do PSD, insistindo que vai convidar os socialistas para debaterem o Orçamento do Estado. "O PS tem de abandonar esta posição de auto-isolamento e de total indisponibilidade para o diálogo", acrescentou Marco António, argumentando que em nenhum outro país europeu o maior partido da oposição se comporta como o partido de António José Seguro.

"Que enigma é este que faz com que o PS tenha um bloqueio psicológico para reconhecer a verdade?", questionou o social-democrata.

Depois das intervenções do ministro e de Marco António Costa, a sessão de esclarecimento sobre o Orçamento do Estado prosseguiu sem os jornalistas no interior da sala, por indicações do PSD.