Os hooligans voltaram a atacar no futebol russo

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A polícia deteve dezenas de adeptos no Shinnik Yaroslavl-Spartak AFP

Adeptos do Spartak Moscovo envolvidos em confrontos com a polícia durante um jogo da Taça da Rússia

Esta não está a ser uma boa semana para a imagem do futebol na Rússia, que vai receber o Mundial em 2018. Depois da condenação do CSKA Moscovo por insultos racistas dos seus adeptos a Yaya Touré, do Manchester City, outro clube de Moscovo, o Spartak, esteve envolvido em demonstrações de violência por parte de várias centenas dos seus adeptos durante uma deslocação da equipa ao terreno do Shinnik Yaroslavl, a contar para a Taça da Rússia.

Os adeptos do Spartak aproveitaram a segurança menos apertada do estádio do Shinnik, equipa da II Divisão, e entraram no recinto com bombas de fumo e very lights, que começaram a ser arremessados para o relvado mesmo antes de começar o jogo. Há ainda imagens que mostram um grupo de adeptos com uma bandeira nazi.

A situação piorou na segunda parte do jogo, altura em que os adeptos entraram em confronto com a polícia de choque. Começaram por arrancar cadeiras e avançaram para a invasão de campo. O jogo foi suspenso aos 53" e as autoridades tentaram controlar os hooligans com canhões de água. O encontro acabaria por ser retomado 20 minutos depois, com o Spartak a marcar o único golo do jogo.

De acordo com Alexander Shikhanov, porta-voz da polícia, citado pela agência RIA Novosti, 78 pessoas foram presas após os incidentes. Ainda segundo a mesma fonte, os adeptos do Spartak entraram no estádio com as bombas e os very lights escondidos nas "partes íntimas" e em moldes de gesso que simulavam fracturas.

Este incidente ocorrido anteontem é o mais grave ocorrido no último ano na Rússia a envolver adeptos violentos. Em 2012, Anton Shunin, guarda-redes do Dínamo de Moscovo, sofreu lesões num olho após ter sido atingido por um very light durante um jogo em casa do Zenit São Petersburgo.

"Agora, todos compreendemos: se esta violência criada pelos adeptos não acabar, vai ser o fim do futebol no nosso país", escreveu o jornal russo Sport Express num editorial com o título Ou eles ou o futebol.

Na tentativa de combater este tipo de problemas, a Rússia aprovou, o ano passado, um conjunto de leis que reforçam as sanções a aplicar a quem provocar incidentes violentos nos estádios de futebol. Mas estas novas normas, que prevêem penas de prisão que podem ir até aos sete anos e a interdição de acesso aos estádios dos prevaricadores, só entrarão em vigor em Janeiro de 2014.

Já nesta semana, o CSKA havia sido condenado pela UEFA devido aos cânticos racistas dirigidos a Yaya Touré, médio costa-marfinense do Manchester City, durante um jogo a contar para a Liga dos Campeões realizado em Moscovo.

O organismo que tutela o futebol europeu condenou o clube russo a ter de disputar o seu próximo compromisso caseiro na Champions (a 27 de Novembro, com o campeão europeu Bayern Munique) à porta fechada.

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