Académica é a equipa da Liga que há mais jogos não vence em casa o Benfica

Já passaram quase 40 anos sobre o último triunfo dos "estudantes" sobre os lisboetas, em Coimbra, mas nas duas últimas épocas os "encarnados" não foram além de um empate no terreno do adversário.

Na época passada, Académica e Benfica empataram em Coimbra (2-2)
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Na época passada, Académica e Benfica empataram em Coimbra (2-2) Foto: Rui Farinha

À luz da história, há pelo menos duas formas de encarar o Académica-Benfica que abre, esta noite (20h30, SPTV1), a 9.ª jornada da Liga 2013-14. Uma, favorável à equipa da casa, atesta que os “encarnados” não vencem no terreno do adversário há duas épocas. A outra, mais do agrado dos visitantes, traduz um período de 40 anos sem perderem em Coimbra para o campeonato.

A Académica é, na verdade, das 15 equipas que compõem o leque de opositores do Benfica na Liga, a que atravessa o mais longo jejum de triunfos no seu reduto sobre os “encarnados”. No total, estas quatro décadas correspondem a 23 jogos, que se traduziram em 18 derrotas e cinco empates. Na hierarquia, surgem depois o Estoril (20 jogos sem ganhar em casa) e, bem mais distante, o V. Setúbal (12).

A última vitória dos conimbricenses para o campeonato remonta a 9 de Dezembro de 1973, quando bateram o Benfica, então orientado por Fernando Cabrita, por 2-0. No ataque do “encarnados”, que detinham o estatuto de campeões nacionais, alinharam Nené, Eusébio e Jordão, mas todos eles ficaram em branco. Os protagonistas desse jogo que, à 12.ª jornada, permitiu ao Sporting desalojar o rival do segundo lugar da tabela, foram Gervásio (31’) e Vítor Campos (75’).

Desde então, a Académica apontou 13 golos ao Benfica e sofreu 45, sendo que a ocasião em que esteve mais perto de voltar às vitórias foi justamente na temporada passada, quando vencia os “encarnados” por 2-1, a cinco minutos do fim. Um golo de Lima, aos 86’, acabaria por resultar no empate final.

Na lista dos melhores marcadores dos embates entre as duas equipas, disputados em Coimbra para o campeonato, figuram Eusébio e Arsénio, avançados do Benfica que fizeram 12 golos cada à Académica. Do lado dos “estudantes”, Bentes – o maior goleador da história do clube - foi o mais concretizador, com cinco golos divididos por quatro jogos.

Sérvios recuperados
Para o novo capítulo da história dos dois clubes, Sérgio Conceição transporta o optimismo gerado pelo triunfo em Braga, na última jornada. “Jogar um jogo do campeonato aqui com o Benfica depois de uma vitória em Braga, penso que era o melhor que poderia acontecer”, assumiu ontem o treinador da Académica, na antevisão da partida.

O segredo para superar os “encarnados”? “Jogar com um bloco compacto, coeso e as linhas bem juntas, sem defender em cima da área, e sair com critério e objectivo para criar mossa na defensiva adversária”, explica.

O sector mais recuado do Benfica tem, de resto, sido um dos calcanhares de aquiles da equipa orientada por Jorge Jesus. Em 8 jornadas, sofreu golos em seis, algo que já tinha acontecido no arranque da época 2011-12. Sérgio Conceição assinala que o adversário não é exactamente o mesmo do temporada anterior, mas quer a sua equipa alerta.

“Não estaria a dizer a verdade se dissesse que o Benfica estava igual ao ano passado, embora o treinador e muitos jogadores sejam os mesmos, com novos reforços, mas sinceramente não está com a mesma dinâmica e alegria que tinha a jogar. Agora que tem potencial para isso tem, espero que não consigam amanhã [hoje] e comecem na próxima semana”, afirmou.

O duelo entre o terceiro e o 12.º classificados do campeonato já deverá contar com o contingente sérvio do Benfica. O médio defensivo Fejsa, o extremo Sulejmani e o avançado Lazar Markovic já recuperaram das lesões que os afastaram dos relvados nas últimas semanas e estão à disposição do treinador. Numa das alas, a utilização de Markovic é uma forte hipótese, havendo ainda Sulejmani, Ivan Cavaleiro e Ola John como alternativas.

Quem chega a Coimbra em alta é Óscar Cardozo, que é a grande referência do ataque dos “encarnados” neste início de época e leva já quatro jogos consecutivos a marcar para a Liga. O recorde do paraguaio no campeonato é de seis partidas seguidas a fazer golos, algo que aconteceu por duas vezes desde que chegou à Luz, em 2007.