Desemprego afecta menos imigrantes do que noutros países

A taxa de desemprego dos estrangeiros a viver em Portugal ronda os 19%, acima dos 16% referentes aos trabalhadores portugueses. O director da Divisão de Migração Internacional da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Jean-Christophe Dumont, considera que a diferença é pequena e entende-a como um bom sinal que distingue Portugal de outros países afectados pela crise. O responsável refere a situação de outros países afectados pela crise, como é o caso de Espanha, em que a taxa de desemprego entre os nacionais é de 23% e de 34% no caso dos estrangeiros a viver no país vizinho. "Em Portugal o impacto é muito mais equilibrado. É um fenómeno muito específico que não se vê na Espanha, Grécia e Irlanda". Jean-Christophe Dumont diz que há várias explicações para o fenómeno, uma delas é a adaptação do próprio mercado, com a saída dos trabalhadores imigrantes que não encontram trabalho no meio laboral português. Mas, na sua opinião, a principal razão "é o sucesso da integração em Portugal". No indicador que avalia o número de jovens que não se encontram nem a estudar, nem no desemprego, a diferença entre nacionais e não nacionais é também muito mais pequena em Portugal do que noutros países europeus, nomeadamente os que foram mais afectados pela crise.O responsável esteve ontem em Lisboa a apresentar alguns dos dados do relatório da OCDE Perspectivas das Migrações Internacionais 2013. "O desemprego de longa duração entre migrantes está a tornar-se num problema grave em muitos países da OCDE. Em 2012, quase um em cada dois migrantes desempregados procurava emprego há mais de um ano", refere o documento. Os jovens imigrantes e os trabalhadores pouco qualificados têm sido particularmente afectados pela crise e as mulheres e os migrantes altamente qualificados têm sido menos afectados. O impacto foi mais forte entre os migrantes da América Latina e do Norte de África. Os migrantes do Norte de África na Europa, por exemplo, registaram valores recorde de desemprego, que ascenderam a 26,6% em 2012.

O relatório fala de discriminação contra os migrantes e os seus filhos no mercado de trabalho. "Os estudos sugerem que, para conseguirem uma entrevista de emprego, é comum que os imigrantes e os seus filhos tenham de enviar mais do dobro das candidaturas do que as pessoas sem historial de migração mas com currículo equivalente". C.G.