Cavaco quer partidos empenhados no cumprimento do programa da troika

Presidente recomenda que se olhe com serenidade para o que a Irlanda vai fazer quanto ao programa cautelar. E recusa eleições antecipadas porque Portugal tem que ser um “país normal”.

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Cavaco recomenda que se olhe para o exemplo da Irlanda Tiago Machado

O Presidente da República acredita que os partidos "estão todos empenhados" no cumprimento do memorando da troika e acerca de um eventual programa cautelar recomenda que se olhe com “serenidade” para o que a Irlanda irá fazer dentro de um mês.

Cavaco Silva aconselha que se olhe "sem excesso de excitação, com tranquilidade e serenidade" para o que a Irlanda fará dentro de um mês, data marcada para o fim do programa de ajustamento daquele país, para depois perceber se Portugal deve ou não seguir o caminho de um programa cautelar.

Para já, o chefe de Estado diz que “tanto quanto” sabe, Portugal não tem em cima da mesa esse tipo de solução. Deve, no entanto, ter atenção ao que o Governo irlandês tentar negociar como melhor para o interesse nacional daquele país. E depois, se for caso disso, seguir o exemplo. Mas Cavaco Silva também faz um aviso, deixando no ar que a negociação da solução que Passos Coelho fizer poderá permanecer em segredo: “Normalmente a negociação do interesse nacional não se consegue negociando na praça pública.”

Porém, e como faltam ainda cerca de oito meses para que Portugal possa concluir o seu programa de ajustamento, o Presidente considera ser tempo de Portugal concentrar os trabalhos no cumprimento do actual programa. E lembra que foi ele quem colocou o termo pós-troika no léxico nacional, no discurso do 25 de Abril

“Neste momento somos capazes de dizer o que desejamos. E o que desejamos é cumprir. Os compromissos internacionais que assumimos: regressar aos mercados, promover o crescimento económico e reduzir o desemprego. E cada coisa no seu tempo”, salientou Cavaco Silva, questionado pelos jornalistas no final de uma visita ao Arsenal do Alfeite, em Almada.

PS "é essencial para a recuperação do país"
O Presidente acredita que apesar das enormes diferenças os partidos poderão conseguir chegar a um entendimento, perto daquele que ocorreu em Maio de 2011, quando foi assinado o memorando com a troika. Ou pelo menos considera que “será possível um diálogo entre as forças políticas que subscreveram o memorando em relação a aspectos fundamentais para o nosso futuro”, como é o caso da sustentabilidade da nossa dívida pública.

Cavaco Silva defende mesmo que o PS “é essencial para a recuperação do país”, devendo o Governo ter em atenção o “contributo” que os socialistas possam dar. Mais: o chefe de Estado diz acreditar que “os partidos em geral estão todos empenhados para que Portugal saia bem deste processo iniciado em Maio de 2011 e que precisa de ser completado em Junho do próximo ano com relativo sucesso”.

Até porque, realçou, é preciso “preparar cuidadosamente – e temos que começar já – o que será o pós-troika”. Termo que, lembrou, foi precisamente introduzido por si no “léxico nacional” no seu discurso do 25 de Abril deste ano.

Nesta preparação do pós-troika está incluído o Orçamento do Estado para 2014 – “que desempenha aqui um papel crucial no regresso aos mercados”, vincou – mas sobre o qual não quer fazer comentários para que os deputados não pensem que o seu trabalho é um mero “pró-forma”.
 
Eleições antecipadas não - Portugal é "governável"
Questionado sobre a hipótese de voltar a colocar em cima da mesa o cenário de eleições antecipadas, o chefe de Estado recusou que Portugal precise de tal. “O período normal de eleições deve ser no ano de 2015. É bom que Portugal seja na Europa um país normal. E o normal na Europa, de que nós fazemos parte, é os mandatos serem cumpridos”, defendeu.

“Não queiramos ser um país anormal dentro da Europa, caso contrário os outros olham para nós - e os mercados também - e dizem ‘aquele país até parece ingovernável’. Não é esse o caso. Eu estou convencido que Portugal é um país governável e está a demonstrar que, apesar dos pesados sacrifícios exigidos à população, a resposta que tem dado tem sido absolutamente responsável.”