"Ele foi um mestre" (David Bowie)

Lou Reed morreu e nas redes sociais multiplicaram-se as mensagens e homenagens deixadas ao músico.

Lou Reed morreu no domingo de manhã aos 71 anos
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Lou Reed morreu no domingo de manhã aos 71 anos AFP
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Foto partilhada por David Bowie DR

“Ele foi um mestre”, foram as palavras simples de David Bowie, que talvez não tivesse sido o camaleão que foi sem a influência enorme que Lou Reed teve em si. Esta foi a mensagem que Bowie partilhou no seu Facebook, juntamente com uma foto em que os dois se cumprimentam.

John Cale, com quem Reed entrou verdadeiramente no mundo da música e com quem viria a formar os Velvet Underground, recorreu ao Twitter para prestar a sua homenagem. “O mundo perdeu um excelente compositor e poeta. Eu perdi o meu parceiro de recreio de escola”, escreveu logo a seguir à notícia da morte. Mais tarde escreveu emocionado, citado pela Pitchfork, que as “gargalhadas partilhadas há algumas semanas, vão lembrar-me para sempre tudo o que foi bom entre nós”. “Ao contrário de outros com histórias semelhantes – temos o melhor da nossa fúria disposta em vinil, para o mundo ver”, acrescentou.

“Tenho tanta pena de saber da morte de Lou Reed, é um choque tremendo”, escreveu, pouco depois de a notícia ter sido dada, Kim Gordon, ex-Sonic Youth, banda que teve nos Velvet Underground uma grande influência. A avaliar pelas mensagens que continuam ao longo desta segunda-feira, choque e surpresa é o sentimento que prevalece.

Apesar de em Maio Lou Reed ter estado internado e ter sido submetido a um transplante de fígado, não houve quem no domingo imaginasse que o músico pudesse estar assim tão doente. O músico e compositor norte-americano Nile Rodgers falou disso mesmo na mensagem que deixou no Twitter: “Lou Reed descansa em paz. Fiz um programa do Jools Holland com ele no ano passado e gozámos à grande. Não sabia que ele estava doente”.

Para Iggy Pop as notícias da morte da Lou Reed são “devastadoras”, enquanto Lee Ranaldo, também dos Sonic Youth, escreve que Reed é “insubstituível”. Já no Facebook, os Pixies partilharam a notícia da morte, que foi avançada pela Rolling Stone, referindo-se a Lou Reed como “uma lenda”.

A veterana Sharon Jones congratulou-se por ter tido a “sorte” de partilhar o palco com Lou Reed Reed. “Um momento, uma música e um homem que nunca esquecerei”, escreveu a cantora folk ao mesmo tempo que partilhou um vídeo desse momento.

Os norte-americanos TV on the Radio partilharam no Facebook várias fotos das várias fases de Lou Reed. “É um dia tão triste. Obrigado pela tua influência imensurável”, lê-se na página da banda. Também as britânicas Savages partilharam no Facebook uma foto de Lou Reed ainda novo, apenas com a legenda: “Descansa em paz, Lou”.

A canadiana Peaches partilhou o vídeo de Satellite of Love, escrevendo que Lou Reed foi “uma parte enorme” dos seus anos de estudante. “Quando olhar para o céu à noite, espero ver-te lá.”

Já os Pearl Jam aproveitaram o concerto de domingo em Baltimore, nos Estados Unidos, para homenagearem Lou Reed, dedicando-lhe Man Of The Hour. “Ele foi um visionário que mudou vidas”, disse Eddie Vedder no concerto, onde tocaram ainda Waiting For The Man em homenagem a Reed.

Estes são apenas alguns dos exemplos dos milhares de mensagens deixadas nas redes sociais. Escrever que o mundo da música chora a morte de Lou Reed não é um exagero quando são tantas as homenagens prestadas. Dos mais novos aos mais velhos. Do rock, à folk e ao pop. A controversa Miley Cyrus, os históricos The Who, Patrick Carney (baterista dos Black Keys), Flea (dos Red Hot Chilli Peppers), Morrissey, Jim James, as Warpaint, Alex Kapranos (dos Franz Ferdinand), Gary Numan, LL Cool J, Juliette Lewis, Tom Morello (dos Rage Against the Machine e dos Audioslave).

Mas nem só da música vieram as mensagens. Foram muitos os actores, realizadores, escritores e caras conhecidas da televisão que também quiseram deixar umas palavras. O chef americano Anthony Bourdain escreveu no Twitter uma parte da canção Sweet Jane: “Heavenly wine and roses… seem to whisper to me…. when you smile”, enquanto o escritor britânico Salman Rushdie escreveu que o seu amigo Lou Reed “chegou ao fim da sua canção”, fazendo referência a duas mais das icónicas músicas de Reed: “But hey, Lou, you'll always take a walk on the wild side. Always a perfect day”.

Para o actor e comediante Ricky Gervais, morreu “um dos maiores artistas do nosso tempo”, um homem que será sempre relevante, como destacou o actor Samuel L. Jackson. “Sempre fui inspirado por ele”, escreveu ainda o actor John Cusack, que “apenas” conheceu Lou Reed “através da sua arte”. “Um grande e singular poeta.”

Em Portugal também foram muitos os que quiseram prestar uma última homenagem a Lou Reed como The Legendary Tiger Man, You Can't Win, Charlie Brown, Rita Redshoes, Pedro Abrunhosa, Jorge Palma, Mafalda Veiga, Miguel Angelo ou David Fonseca.

À Lusa, Zé Pedro, dos Xutos&Pontapés, recordou a primeira vez que viu Lou Reed. “Foi em em 1977, em França, e fiquei fascinadíssimo com o concerto dele”, disse Zé Pedro, para quem Reed “meteu Nova Iorque no mapa” do rock, causando “um grande impacto com os seus primeiros discos”.

Para António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF, Lou Reed “é uma referência" da sua geração: "É um mito como o John Lennon, que me ajudou a ser músico”. Também Luís Varatojo, guitarrista dos A Naifa, destacou a grande influência “para a maior parte da música feita até hoje”. “Fez de uma voz que quase não tinha um bom cantor, o que só está ao alcance de alguns”, acrescentou.