A questão que a juíza Ruth Bader Ginsburg tem para resolver

É forte na argumentação e a primeira a lançar uma pergunta. Tem fama de ser a juíza do Supremo Tribunal dos EUA com mais conhecimento dos detalhes quando um caso lhe vai parar às mãos. Aos 80 anos, deu início ao seu 21.º mandato. Mas Ginsburg enfrenta alguma pressão para abandonar este posto de nomeação vitalícia, para que possa ser o democrata Barack Obama a escolher o seu substituto, evitando uma deriva conservadora da mais alta instância da justiça americana.

Quem foi capaz de imaginar este pequeno destino? Que alinhamento estelar permitiu que, numa noite de final de Verão, este lugar do deserto do Novo México fosse o melhor sítio do mundo para se ser Ruth Bader Ginsburg?

Ginsburg está o fazer o que sempre faz nesta altura do ano. A despeito de uma das suas paixões - o Direito -, está a gozar as outras: ópera e família. Para Ginsburg, a Ópera de Santa Fé é a melhor companhia de ópera de Verão do mundo. Há anos - primeiro com o seu falecido marido, Marty, e agora com os seus filhos e netos - que ela passa uma semana em Santa Fé, no sopé das montanhas Sangre de Cristo. E assim que regressa à costa Leste diz para si própria: "O que aconteceu ao meu céu?"

Há visitas ao campo e subidas às montanhas. Há acesso VIP às obras de Georgia O"Keeffe. Há jantares sumptuosos preparados pela filha, Jane, que duram até às 2h30 da manhã.

Ela reuniu um círculo de amigos ecléctico e artístico, que organizam almoços em sua honra para quem quer que apareça na cidade. Está cá Kaye Ballard, a cantora que esteve em digressão com a Spike Joens Orchestra na década de 1940 e cujo site na Internet avisa: "Já agora, não só eu ainda estou por aqui... como ainda estou DISPONÍVEL." Tira fotos com Ginsburg com o seu iPhone e insiste para que ela autografe o seu menu.

A anfitriã, Winnie Klotz, antiga bailarina e durante décadas a fotógrafa da Metropolitan Opera, começa o encontro agarrando o seu tornozelo de 84 anos e elevando-o acima da sua cabeça de 84 anos. "Consigo ter a vossa atenção?", pergunta. Aparentemente insatisfeita com a resposta, lança-se numa espargata no chão do Harry"s Roadhouse. Mais tarde, Ginsburg comenta: "Ela faz sempre aquilo."

À noite, há sempre a ópera, que Ginsberg considera ser "a arte perfeita", e que esta noite junta os dois mundos de Ginsburg, a lei e a cultura. É a última apresentação de Oscar, que se estreou mundialmente aqui, uma ópera sobre o dramaturgo e ensaísta gay Oscar Wilde e a sua condenação em 1895 por "indecência grosseira". A ópera levou nove anos a ser preparada e por coincidência estreou-se quatro semanas depois de as primeiras decisões do Supremo Tribunal sobre casamento homossexual terem resultado em vitórias importantes para os direitos dos homossexuais. Ninguém do público precisava que lhe lembrassem que Ginsburg estava do lado da maioria na votação desses casos.

Ela chega por uma entrada lateral da grandiosa ópera a céu aberto, com um elegante casaco preto com umas mangas de seda branca. Uma figura minúscula, o cabelo como sempre apanhado atrás com um elástico farfalhudo, mínima no meio do seu aparato de segurança.

O elenco pediu para a ver no intervalo, e a sua bolha de segurança choca contra a avalanche de patrocinadores. A multidão sofisticada de Santa Fé mantém a distância. Mas, à margem dos seus movimentos lentos e firmes, há um debate que se tornou uma companhia constante da líder dos liberais do Supremo, de 80 anos, que começou o seu 21.º mandato.

"Precisamos que ela fique lá para sempre", diz uma mulher, depois de Ginsburg ter passado. "Ou", replica o seu companheiro, "que saia agora".

Não existem regras estabelecidas sobre quando um juiz abandona esta nomeação vitalícia, apesar de Ginsburg não ter falta de conselhos. Foi a primeira juíza nomeada por um Presidente democrata em 26 anos, quando o Presidente Bill Clinton a escolheu, e desde que outro Presidente democrata foi eleito que tem recebido apelos para sair, para que ele possa escolher o seu substituto.

O Supremo tem quatro liberais consistentes, incluindo Ginsburg, e quatro conservadores consistentes, e um juiz no meio, Anthony M. Kennedy, escolhido por Ronald Reagan, que frequentemente alinha com os conservadores. Se os elementos do Tribunal não se alterarem antes das eleições de 2016, o novo Presidente terá um Supremo Tribunal com quatro dos seus nove membros com mais de 77 anos, incluindo metade do bloco liberal.

"A realidade do tribunal, e dos partidos, é que Ginsburg... deveria saber que um juiz escolhido pelo Presidente Rubio ou Presidente Jindal ou Presidente Cruz criará um país muito diferente daquele escolhido por Barack Obama", escreveu o cientista político Jonathan Bernstein no Washington Post. Não foi o primeiro.

Claro que todos os membros do Supremo sabem bem como a política presidencial, o timing e a ambição e a sorte se combinam para produzir uma nomeação. Ginsburg, por exemplo, nunca teria feito história tornando-se na segunda mulher a pertencer à alta instância se George Bush tivesse ganho a reeleição em 1992.

Mesmo com Clinton na Casa Branca, estava longe de ser uma coisa segura. Ginsburg era bastante mais conhecida como advogada pioneira da defesa dos direitos das mulheres, que venceu cinco ou seis casos no Supremo Tribunal na década de 1970, e que nos 13 anos seguintes esteve no tribunal de recurso em DC Circuit. "Eu tinha um assistente que me dizia: "Se não fizer nada, talvez esteja em 25.º lugar da lista do Presidente. Por isso, temos de fazer alguma coisa para a trazer para a frente", recorda Ginsburg numa entrevista recente.

O marido, um advogado de direito fiscal conhecido nacionalmente e bem relacionado, "tornou-se o meu director de campanha", disse Ginsburg. Organizou uma campanha tão agressiva que chamou a atenção dos jornalistas.

O facto de a escolha de Ginsburg - líder da American Civil Liberties Union, crente na Constituição "evolutiva", e promovida pela Casa Branca a defensora do direito a abortar - ter sido aprovada pelo Senado por 96 votos contra 3 mostra como os tempos eram diferentes. Ela é levada a recordá-lo cada vez que destranca a porta dos seus aposentos; a sua chave está num porta-chaves de plástico com as palavras "Felicidades, Strom Thurmond". O antigo segregacionista e do Dixiecrat [partido de direita, segregacionista criado e extinto em 1948] foi um dos 96.

Por isso, Ginsburg percebe de política. Mas não sente que esteja perante o fim do prazo para sair, para que Obama, que ela admira, possa escolher o seu sucessor.

"Acho que vai haver outro Presidente democrata" depois de Obama, diz. "Os democratas têm bons resultados em presidenciais; o problema é que não conseguem os votos nas eleições intercalares."

"Ela não precisa do meu conselho", diz a juíza reformada Sandra Day O"Connor. "Ela sabe resolver isso sozinha. Conhece as suas próprias circunstâncias e os seus próprios desejos e a sua idade e a fase da sua vida. Será que ela já fez as coisas que queria fazer aqui?"

Em entrevistas, Ginsburg levantou a questão de O"Connor poder estar arrependida com a decisão de deixar o tribunal em 2006, aos 75 anos. A primeira juíza do país, agora com 83, praticamente não abrandou desde que saiu, participando em comissões, colaborando com um movimento de recuperação da educação cívica e continuando a servir em tribunais de recurso por todo o país.

Reformou-se quando o marido, John O"Connor, começou a sofrer de Alzheimer; ele morreu em 2009.

Mas O"Connor não olha para o passado. "Não o lamento nem por um instante", diz. "Senti que já tinha tido uma experiência fantástica e o meu marido precisava dos meus cuidados. Para mim, era a altura para fazer isso."

Durante alguns anos, Ginsburg parecia frágil e combateu o cancro duas vezes - um cancro do cólon em fase inicial em 1999 e um cancro no pâncreas em fase inicial em 2009. Desloca-se devagar, frequentemente com a cabeça para baixo, e com pausas deliberadas que deixam os seus interlocutores sem saber se já terminou o seu raciocínio. (Também come tão devagar que Marty Ginsburg disse uma vez que se Clinton a tivesse convidado para almoçar na Casa Branca, em vez de lhe ter feito uma entrevista, "ainda hoje estariam a comer".)

Ela terminou pelo menos dois mandatos com costelas partidas devido a quedas. E no discurso do estado da União do ano passado foi filmada, com o seu vestido preto e um colar brilhante que tinha recebido como uma das mulher do ano da revista Glamour, a dormir.

Ginsburg diz que os médicos a dão como curada do cancro - das duas vezes que combateu a doença, nunca faltou a um dia de deliberações do tribunal - e exercita-se regularmente com um treinador, que diz que ela é capaz de fazer 20 flexões "masculinas". Em Santa Fé, disse que seguia uma rotina de exercícios da Força Aérea Canadiana e afirmou aos amigos a rir que não foi o cansaço que a fez dormitar no discurso do Presidente. Houve um grande jantar antes, disse ela - "e um óptimo vinho californiano que o Tony Kennedy trouxe".

Na verdade, Ginsburg é uma coruja ("o Marty chamava-me morcego") desde os tempos da Faculdade de Direito de Harvard. Não só era uma das poucas mulheres da turma, era também mãe, e os seus estudos acabavam todos os dias às 4, quando tinha de ficar a tomar conta da filha Jane. Depois, Marty foi diagnosticado com um cancro nos testículos. Ela acompanhava-o na quimioterapia e dactilografava a tese de terceiro ano dele já depois da meia-noite. "Por isso, só depois das duas da manhã é que eu começava o que fosse preciso fazer para as minhas próprias aulas", diz Ginsburg. "Apercebi-me de que não precisava de muitas horas de sono e assim fazia esticar o dia."

É activa na argumentação oral e geralmente é a primeira a lançar uma pergunta. Tem fama de ser a juíza com mais conhecimento dos detalhes de um caso e rápida a chamar o advogado quando acha que lhe está a esconder os factos. No mandato mais recente, Ginsburg redigiu as suas sentenças mais rapidamente do que qualquer dos seus colegas.

"Todos nos ríamos com a rapidez dela. E o trabalho é incrivelmente bom", diz Elena Kagan que, aos 53 anos, é a juíza mais recente e jovem do Supremo. "Aprendo sempre qualquer coisa com ela cada vez que nos juntamos."

Ginsburg tornou clara a sua insatisfação com a maioria conservadora do tribunal neste último mandato lendo as suas divergências em cinco casos; é raro que um juiz faça isso uma única vez durante um mandato. Na maior parte das divergências, é acompanhada pelo colega liberal Stephen G. Breyer, Sonia Sotomayor e Kagan.

Ginsburg nega que esteja a tentar enviar uma mensagem: "Este tribunal lida com aquilo que tem em cima da mesa, e no ano passado tivemos muitos casos em que achei que o tribunal estava redondamente errado."

Ainda assim, Ginsburg fez repetidamente soar o alarme este Verão por causa de um tribunal "activista" que estaria a ser criado pelo ministro da Justiça John Roberts Jr. Quando questionada sobre se partilha a opinião de que Roberts está a lançar um "jogo a longo prazo" de mudanças para desviar a jurisprudência do Tribunal para a direita, ela diz que não sabe. "Acho prematuro fazer esse raciocínio. Ficaremos a saber um pouco mais durante este mandato."

Há quem diga que Ginsburg não deveria criticar o Tribunal por querer travar leis, quando ela construiu a sua reputação convencendo os juízes a rejeitar situações em que o Governo não tinha razões para tratar homens e mulheres de forma diferente. Alguns estudos sugerem que os tribunais anteriores anularam tantas leis como o actual. A natureza subjectiva de decidir quando uma lei viola a Constituição era visível na própria votação de Ginsburg em duas das maiores decisões recentes do Supremo.

Ginsburg contestou quando o Tribunal rejeitou um secção fundamental da Voting Rights Act, reautorizada pelo Congresso em 2006. Mas estava de acordo quando a maioria recusou a Defense of Marriage Act, que contestava o reconhecimento federal dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo em estados onde este é legal. (Kennedy foi o único juiz que votou contra ambos.)

Ginsburg estabelece assim a diferença: uma vez que a 15.ª Emenda dá especificamente ao Congresso a responsabilidade de defender os direitos das minorias, tinha o poder de reautorizar a Voting Rights Act. Mas sempre foi função do Estado estabelecer as regras do casamento, argumenta. "No caso DOMA [Defense of Marriage Act], o tribunal tinha diante de si um Congresso a dizer aos estados: "Não interessa o que vocês acham, ou qual é a vossa lei de família, estamos a uniformizá-la para o país"", diz.

Ginsburg não escreveu qualquer das decisões do tribunal quanto aos casamentos homossexuais - e que permitiram que essas uniões se voltassem a celebrar na Califórnia - mas parece ter-se identificado com elas.

Em Santa Fé, David Bowles, um produtor de discos da Califórnia, comprou um bilhete para o espectáculo na esperança de um encontro casual. E resultou, quando se dirigiu a Ginsburg no Opera Club. "Casei-me na quinta-feira por causa de si", disse-lhe, e apresentou o seu marido, Nicholas McGegan.

A identificação foi provavelmente selada no final de Agosto, quando Ginsburg percorreu a rua do seu apartamento em Watergate para presidir à cerimónia à luz das velas do presidente do Kennedy Center, Michael Kaiser, com o economista John Roberts. Com as palavras "John, aceita Michael como seu marido?", marcou uma estreia nos 224 anos da história do Supremo Tribunal. Ouvia-se um burburinho na assistência quando ela os declarou casados "pela autoridade que me é investida pela Constituição e pelas leis dos Estados Unidos".

O casamento de Ginsburg durou 56 anos, até à morte de Marty em 2010, e é daqueles que inevitavelmente são descritos como o que acontece quando os extremos se atraem. Ele era sociável e amigável, um chefe fantástico, um advogado fiscal brilhante e a luz de uma festa. Ela é séria, académica, capaz de apreciar uma piada, mas não de contar uma. Está tão pouco habituada à cozinha que, quando Marty adoeceu, uma amiga que lhe comprou um tacho para massa teve de a avisar que não podia colocar metal no microondas.

Martin Ginsburg e Ruth Bader conheceram-se antes da licenciatura, em Cornell. Ela era uma cabeça e ele estava mais interessado em pertencer à equipa de golfe, mas ambos eram suficientemente espertos para entrarem em Direito em Harvard. Ruth Ginsburg disse uma vez numa entrevista na televisão que o marido tinha tanta autoconfiança que viu que "a pessoa que escolheu para partilhar a sua vida tinha de ser excelente".

"Fico espantado com a forma como ela tem passado sem o Marty", diz o juiz Antonin Scalia. "Estiveram casados durante muito, muito tempo, e ele era muito dedicado a ela."

Igualmente incrível, para muitos, é a amizade entre os Ginsburg e Scalia e a sua mulher, Maureen, que passavam muitos fins de ano juntos - frequentemente com Marty a cozinhar veado ou perdiz ou javali, que Scalia trazia das suas caçadas.

"Se não somos capazes de discordar ardentemente com os nossos colegas sobre algumas questões de direito e ainda assim sermos amigos, então arranje-se outro emprego, por amor de Deus", diz Scalia. Considera que ele e Ginsburg são particularmente bons com essa compartimentação devido ao seu passado de académicos. "Quando se escreve uma análise sobre uma lei, ou um livro na academia, fazemos sempre circulá-lo entre os nossos colegas antes da versão final, e se eles forem bons colegas, lêem e fazem sugestões", diz Scalia. "A Ruth e eu fazíamos isso um ao outro e agradecíamos - agradecíamos - a ajuda."

Essa troca ocorreu antes de Ginsburg ter emitido aquele que será porventura o seu mais notável parecer enquanto juíza: a decisão de 1996 de que o Instituto Militar da Virgínia tinha de admitir mulheres. Scalia foi o único a votar contra e, como era costume, deu antes a Ginsburg uma cópia com a sua divergência. "Estragou-me o fim-de-semana, mas melhorou tanto o meu parecer", por ter tido de responder às refutações de Scalia, disse ela.

Quando Scalia não está a enfurecê-la, não pára de a fazer rir, diz Ginsburg. Ele chama-a "destemida".

Scalia lembra-se de ter estado com ela num dos períodos de aulas de Verão que os juízes do Supremo fazem, este na Riviera francesa. "Ela foi fazer parasailing!", conta. "Aquela coisinha magricelas, achávamos que nunca aterraria. Estava agarrada a um barco a motor no Mediterrâneo, lançada no ar, meu Deus. Eu nunca faria aquilo."

Voar alto no céu não é a imagem pública que se tem de Ginsburg, concorda ele. "Ela tem a imagem de ser dura e, você sabe, não é do tipo... Quer dizer, ela pode ser dura. Não se pode pressioná-la, sobretudo nos assuntos com que ela se preocupa muito. Mas de resto é uma pessoa muito amável, de quem se gosta, e luminosa."

Está a ocorrer uma espécie de renascimento de Ginsburg. A sua determinação em ir contra os conservadores do tribunal deliciou os liberais, que nunca tinham achado que ela era suficientemente liberal ou assertiva. Os alunos aparecem em massa para a ver quando ela vai às faculdades de Direito. O ligeiramente profano Ruth Bader GinsBlog elogia cada passo seu; há T-shirts que se compram online a dizer "Notorious R.B.G."

A nova ópera Scalia/Ginsburg vai estrear-se no próximo ano, escrita por Derrick Wang, compositor e recentemente licenciado na Faculdade de Direito da Universidade de Maryland. Interpretações constitucionais em duelo, em música.

E ainda assim a pergunta: quando será o momento de deixar a sua nomeação vitalícia?

"Quando eu já não conseguir fazer o trabalho, haverá sinais", diz Ginsburg. "Eu sei que o juiz [John Paul] Stevens [que se reformou aos 90 anos] estava preocupado nos últimos anos com a sua audição. Ainda não tive perda de audição. Mas quem sabe quando isso poderá acontecer? Por isso, aquilo que posso dizer é o que tenho dito várias vezes: na minha idade, é um ano de cada vez."

Violetta está a morrer. Ruth Bader Ginsburg está a chorar.

No intervalo, Ginsburg tinha-se mostrado um bocado preocupada com esta produção de La Traviata; o canto estava glorioso, mas achou que a soprano Brenda Rae tinha sido mal dirigida no primeiro acto, com a sua actuação de cortesã condenada a não conseguir provocar empatia suficiente.

Ginsburg diz que o seu amor pela ópera remonta aos 11 anos, quando viu pela primeira vez, e recorda um momento excitante décadas depois: ela e dois juízes foram extras na produção de Die Fledermaus apresentada na Opera Nacional de Washington, com Placido Domingo. "Estava sentada com o Tony Kennedy e Steve Breyer no sofá e Domingo estava a dois passos de mim - foi como se um choque eléctrico me tivesse atravessado."

Ginsburg diz muitas vezes que teria gostado mais de viver como uma diva. Mas quando a professora de música da primária escolheu os alunos, "era um canário e não um rouxinol". Se pudesse cantar, seria como Marschallin de Der Rosenkavalier. É uma das obras mais sofisticadas de ópera, sobre uma mulher que abdica do seu amor muito mais novo que ela, com lições sobre o passar do tempo, a capacidade de abrir mão de uma coisa valiosa, o sacrifício e o continuar em frente.

A música mexe com Ginsburg, tal como o fim de La Traviata, produzindo o seu efeito habitual. "Bravissimo!", diz ela nos bastidores, onde o elenco se juntou para receber uma realeza de outro mundo. "Só agora consegui parar as lágrimas."

a Exclusivo PÚblico/Washington Post