Benfica não foi apaixonante, mas cumpriu

"Encarnados" derrotam Nacional da Madeira por 2-0 e seguram terceiro lugar da liga portuguesa.

Siqueira marcou o primeiro golo e saiu lesionado pouco depois
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Siqueira marcou o primeiro golo e saiu lesionado pouco depois Hugo Correia/Reuters

Vistoso e apaixonante. Dois adjectivos que Jorge Jesus reclamava para o Benfica de um passado não muito longínquo e que têm andado distantes da equipa sofrível que se vem exibindo na época 2013-14. Jesus queria que os “encarnados” recuperassem essa identidade já frente ao Nacional. Não o fizeram, mas foram melhores. Na recepção aos madeirenses, numa semana em que se assinalou uma década de inauguração do Estádio da Luz, o Benfica venceu por 2-0 e manteve o terceiro lugar da Liga portuguesa, muito graças a Óscar Cardozo, o ex-proscrito que continua a ser indispensável.

Jesus injectou alguma juventude na equipa, com Rodrigo e, principalmente, Ivan Cavaleiro, pela primeira vez titular pela principal equipa dos “encarnados” no campeonato. A pressão inicial do Benfica foi grande e teve os seus frutos logo de início. Ao passar do quarto de hora, Siqueira arranca pelo seu flanco, faz a tabela com Cardozo e recebe a bola já dentro da área para bater um desamparado Gottardi. O brasileiro parece ser mesmo o lateral esquerdo de que o Benfica tanto precisava, mas o jogador emprestado pelo Granada saiu lesionado aos 27’ e criou um problema a Jorge Jesus.

Apesar do golo sofrido, a formação orientada por Manuel Machado até tinha boa circulação de bola e ia com critério para o ataque. Candeias, Djaniny e Rondón podiam criar perigo a qualquer momento, mas o máximo que os madeirenses conseguiram fazer foi, aos 18’, obrigar Artur a defesa apertada após um livre de Claudemir. Pelo contrário, o ataque benfiquista era constante, com muita mobilidade dos seus homens, e as oportunidades sucederam-se a bom ritmo.

A exibição estava acima do mínimo, mas o resultado não. E bastava um golo adversário para o Benfica regressar à sua outra identidade, a de equipa inconsistente e que entra rapidamente em depressão. Se havia equipa que o podia fazer era o Nacional, a jogar na Luz a possibilidade de subir ao terceiro lugar. Mas as coisas acalmaram logo no início da segunda parte. Aos 49’, Gaitán avançou pelo meio, deixou a bola em Cardozo e o paraguaio não falhou, naquele que foi o seu quinto golo da época (quarto no campeonato), fazendo o 2-0. Depois, o Benfica fez uma gestão controlada e o Nacional até reforçou o ataque, mas nada mudou.

O que o jogo deste domingo mostrou é que o ataque do Benfica continua a viver muito da inspiração de um homem que nem sempre foi consensual, nem para os adeptos, nem para Jesus. Afastado da pré-época por ter explodido na final da Taça, Cardozo é verdadeiramente indispensável para que o Benfica volte a ser apaixonante. Jesus pode mudar o que quiser, seja o seu parceiro no ataque — Rodrigo não esteve mal, mas não fez a diferença —, sejam os extremos — Ivan Cavaleiro teve uma boa estreia a titular, mas nem sempre decide da melhor maneira, o que é natural para um jovem de 20 anos; Gaitán parece de regresso aos bons tempos. Mas o paraguaio tem de ser a constante.