Movimento Que Se Lixe a Troika sai hoje às ruas sob o lema "Não há becos sem saída!"

Foto
PSP e movimento chegaram a acordo para que "manif" ocupe apenas a parte final da escadaria da AR ENRIC VIVES-RUBIO

PSP desmente a "proibição" da "manif", mas admite que pediu ao movimento que não ocupasse toda a escadaria do Parlamento.

O movimento Que se Lixe a Troika sai hoje à rua para mais um protesto. Lisboa, Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Faro, Funchal, Horta, Portimão, Porto, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu vão ser palco de manifestações contra as políticas de austeridade impostas pelo "Governo mandatado pela troika", nas palavras do movimento.

A ineficácia das medidas de austeridade e o falhanço das políticas do Governo, a que se juntam o empobrecimento da população, o desmantelamento dos serviços públicos, os cortes nos salários e nas pensões e o aumento de 34% da dívida pública (no 1.º trimestre de 2013 atingiu 131,4% do PIB). Estes são os argumentos que justificam a iniciativa que a organização promete fazer encher as ruas de 14 cidades portuguesas, de norte a sul.

"Estamos a assistir a um grave retrocesso em relação às nossas liberdades, a um desmantelamento do nosso modelo social e até da democracia", afirma ao PÚBLICO João Camargo, um dos promotores do protesto. "Os motivos que nos levaram às ruas no 15 de Setembro [de 2012] e no 2 de Março [deste ano] agravaram-se e, neste momento, temos cerca de 1000 pessoas a apoiar a manifestação", remata. João Camargo faz ainda questão de relembrar que, "na sua carta de demissão, o ministro Vítor Gaspar assumiu que os momentos em que pensou demitir-se foram precisamente em Setembro e em Março".

Em Lisboa, ao contrário do que aconteceu em Setembro de 2012 e a 2 de Março, os protestos de hoje não vão voltar a percorrer a Praça de Espanha, o Marquês de Pombal, a Avenida da Liberdade ou o Terreiro do Paço. Sob o lema "Que se lixe a troika, não há becos sem saída!", o movimento político e social anti-troika prepara-se para um protesto mais direccionado. Uma manifestação "mais amalgamada", como descreve João Camargo. Os desfiles de marés rumo ao Terreiro do Paço, que caracterizaram a última grande manifestação do movimento anti-troika a 2 de Março, foram substituídos por uma concentração no Rossio que, por volta das 15h30, parte em direcção à Assembleia da República, passando junto à Câmara de Lisboa.

A organização para o protesto de hoje baseou-se essencialmente na mobilização através das redes sociais, nomeadamente através de eventos lançados no Facebook, na distribuição de cartazes pelas paredes das cidades, e na captação, edição e publicação de vídeos de apelo à participação no protesto, protagonizados por diversas figuras públicas, sobretudo das áreas da representação e música. JP Simões, Oceana Basílio, Luís Aleluia, Lúcia Moniz, Vicente Alves do Ó, Daniel Oliveira, Mário de Carvalho, Nuno Artur Silva e Jorge Silva Melo são apenas alguns dos nomes que deram rosto a esta iniciativa do movimento Que Se Lixe a Troika.

"Há nomes de todos os quadrantes da sociedade a apoiar a manifestação, desde as artes às ciências, esperamos que toda essa energia se materialize num grande protesto", deseja João Camargo. "É impossível fazer futurologia mas esperamos uma grande manifestação", acrescenta.

O movimento está a preparar intervenções políticas e culturais para um palco montado ao fundo da escadaria. Ao contrário do que foi ontem noticiado, a PSP não proibiu a ocupação da escadaria da AR, pediu sim, na reunião que tiveram anteontem, que o movimento não ocupasse a escadaria na íntegra - a própria presidente da Assembleia da República não se opôs a tal pretensão quando o movimento lho pediu -, mas apenas a parte final, junto ao largo. João Camargo confirma o pedido, mas não faz "interpretações políticas" da proposta da polícia. com Marisa Soares