Suspeitos de homicídio contradizem-se em tribunal em Ílhavo

A jovem acusada de ter esfaqueado mortalmente o ex-companheiro e pai do seu filho negou nesta quarta-feira no tribunal de Ílhavo ter tido qualquer intervenção no homicídio, contrariando o seu alegado cúmplice, que a acusara de ser a mentora do crime.

A primeira sessão do julgamento, que decorreu numa sala cheia de familiares e amigos dos arguidos e do falecido, ficou marcada pelas declarações contraditórias dos dois suspeitos, ambos de 24 anos.

Num depoimento bastante emocionado, a jovem disse que a ideia de matar o seu ex-companheiro, de 26 anos, partiu do então namorado, que teria ciúmes da vítima.

A jovem, que afirmou estar sob o efeito de drogas na altura dos factos, negou ainda ter desferido qualquer facada no seu ex-companheiro.

Ao contrário, o seu alegado cúmplice afirmou que a arguida teria desferido duas das facadas fatais, quando a vítima se encontrava deitada no sofá da sala, onde veio a falecer.

Segundo o jovem, a ideia do homicídio partiu da então namorada, que pretenderia ter mais facilmente a guarda do filho, que estava aos cuidados dos avós paternos.

O rapaz afirmou ainda que participou no crime porque estava "pressionado" pela arguida, que o teria chegado a ameaçar de morte a si e à sua família se não colaborasse com ela.

"Não podia fazer nada porque tinha medo", afirmou perante o colectivo de juízes, adiantando ainda que "não questionava as ordens dela".

O julgamento foi interrompido ao final da tarde e será retomado na próxima segunda-feira para a audição das testemunhas de acusação e de defesa.

Os dois arguidos, actualmente em prisão preventiva, estão acusados de um crime de homicídio qualificado que, segundo o Ministério Público (MP) revelou "especial perversidade e censurabilidade".

O crime remonta à noite de 9 de Outubro de 2012, quando o casal terá esfaqueado mortalmente o jovem, que se encontrava sozinho em casa, na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo.

Segundo o despacho de acusação do MP, o homicídio foi planeado pelo menos com três semanas de antecedência.

Após o crime, os dois arguidos terão remexido a casa, para simular um assalto, e fugiram do local, enterrando a arma do crime numa mata situada na proximidade.