Professores consideram ensino vocacional desadequado aos alunos

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Ensino vocacional foi alargado de 23 para 500 estabelecimentos, abrangendo agora 9000 estudantes MANUEL ROBERTO

Críticas dos docentes ao ensino vocacional no ensino básico são conhecidas. MEC fala em experiência-piloto

Mais de metade dos professores envolvidos no ensino vocacional, lançado no ano lectivo passado em 13 escolas básicas do país, consideram aquele modelo "pouco" ou "pouquíssimo" adequado aos alunos a que se destina. Este é um dos dados relevantes do relatório sobre esta experiência, que chegou ao Parlamento semanas depois de o Ministério da Educação e Ciência (MEC) a ter alargado a cerca de 9000 estudantes de mais de 500 estabelecimentos de ensino.

Criado no ano lectivo passado, o ensino vocacional foi apresentado como uma resposta para alunos com 13 ou mais anos de idade e várias experiências de insucesso escolar, que ofereceria um primeiro contacto com diferentes profissões e permitia concluir o 3.º ciclo num ano, ou em dois, em vez dos três regulares. Foi sobre o primeiro ano de experiência, que envolveu 285 alunos, que se debruçou a comissão de avaliação que inquiriu 209 estudantes e 104 professores.

De acordo com o relatório, que chegou no final da semana aos membros da Comissão Parlamentar de Educação, quando tentaram aprofundar as razões pelas quais os professores consideravam o ensino vocacional pouco ou pouquíssimo adequado aos jovens, os investigadores concluíram que "os aspectos mais criticamente referidos não têm a ver com a natureza da formação". Estão relacionados, referem, "com a preparação anterior dos alunos, os seus níveis de empenhamento" e a indisciplina nas aulas.

Há outras críticas. Os docentes consideram que o currículo do curso é pouco adequado (51,9%) ou medianamente adequado (31,7%) aos interesses dos alunos e apontam a dificuldade de planificar e condensar três anos de escolaridade em apenas um ou dois.

Os relatores, no entanto, acabam por não ser críticos do modelo, que na sua perspectiva "é uma alternativa académica sem a qual o abandono precoce da escola poderia ser inevitável". Sublinham que "79,9% dos alunos dizem não pretender regressar ao ensino geral do ensino básico ou aos cursos científico-humanísticos do ensino secundário". Salientam também as vantagens, reconhecidas pelos professores, da dimensão prática dos cursos para a preparação para o mundo do trabalho.

É nesse contexto que os relatores aconselham que seja garantida a progressão e continuidade da oferta do vocacional no secundário. Este pedido o MEC já atendeu - este ano lectivo foram lançados cursos vocacionais de dois anos para 400 jovens com mais de 16 anos, em 22 escolas do país.

Em reacção a questões colocadas pelo PÚBLICO, o MEC sublinhou que as respostas ao inquérito que agora foi revelado "foram dadas no início do projecto, em Dezembro de 2012". Frisou que, no final do ano lectivo, as taxas de conclusão superaram as "dos restantes alunos do ensino básico e, em especial, os que têm as mesmas idades". Isso comprova, na perspectiva do MEC, "a adequação desta oferta às necessidades dos alunos". Através do gabinete de imprensa, o ministério de Nuno Crato insiste ainda que se trata de "um primeiro balanço" e que "todas as avaliações" que estão a ser feitas "servem para aperfeiçoar a oferta".

"O alargamento do vocacional no ensino básico mantém-se como experiência-piloto. Tal como sublinhado por diversas vezes, o ensino vocacional de nível básico não foi generalizado", refere o MEC, sobre o alargamento do vocacional de 13 para 500 estabelecimentos de ensino e dos 285 alunos para mais de 9000. Explica esta passo referindo que, "com mais escolas, poderá ser realizada uma avaliação consistente que permita ponderar as alterações necessárias, uma vez terminada a experiência-piloto".