Formigas controlam condições do ninho e quando insatisfeitas mudam de casa

Estudo de investigadora da Fundação Champalimaud mostra que mudança de habitação depende do número de formigas insatisfeitas com o local.

Uma formiga fotografada na Costa Rica
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Uma formiga fotografada na Costa Rica Juan Carlos Ulate/Reuters/arquivo

As formigas monitorizam constantemente as condições do seu ninho e quando um determinado número está insatisfeito mudam de casa, explicou uma investigadora que conduziu um estudo nestes animais e que acaba de ser publicado.

Carolina Doran, estudante do International Neuroscience Doctoral Programme (INPD) da Fundação Champalimaud e actualmente a trabalhar no laboratório de Nigel R. Franks na Universidade de Bristol, no Reino Unido, demonstrou que as formigas estão permanentemente à procura de um local melhor para viverem.

Estudos anteriores, igualmente desenvolvidos em laboratório, tinham concluído que as formigas "gostam de entradas pequenas porque conseguem defender-se, de tecto escuro, tapado, e de uma altura específica porque podem fazer uma montanha com os ovos", referiu a cientista à agência Lusa.

Mesmo que todas aquelas condições estejam reunidas, "há sempre um pequeno número de formigas que continua a monitorizar o ambiente porque elas não sabem se acontece alguma coisa ao ninho onde se encontram e precisam de emigrar rapidamente", segundo os resultados agora publicados Royal Society Biology Letters.

Carolina Doran apontou que as formigas "estão constantemente a monitorizar e essa monitorização varia de acordo com a qualidade do ninho". "O que nós achamos que está a acontecer é que, consoante a qualidade da casa onde estão, o número de formigas a sair para procurar outra é diferente, quanto mais formigas estão fora, à procura de casa, maior é a probabilidade de, no final, emigrarem", explicou.

O número de formigas insatisfeitas é importante para a decisão de mudar. Questionada acerca de alguma relação entre esta atitude das formigas e o comportamento dos homens, Carolina Doran referiu que, nesta espécie, a decisão de mudar "é muito avaliada e elas não gastam o que não têm, elas ponderam", o que nem sempre acontece entre as pessoas.