Onda de solidariedade para procurar pais de menina loura encontrada na Grécia

"Maria" foi encontrada em acampamento cigano. Testes mostraram que não é filha do casal com quem estava. Autoridades tentam agora encontrar os pais da menina que terá quatro anos.

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Imagem de Maria divulgada pela polícia grega AFP
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Cartaz de Maria no centro que a acolheu: a Interpol está à procura dos pais verdadeiros Sakis Mitrolidis/AFP
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O acampamento em Farsala onde a criança foi encontrada Sakis Mitrolidis/AFP

Até agora a polícia ainda não conseguiu descobrir a identidade da menina, mas suspeita-se que tenha sido vítima de rapto ou envolvida numa rede de tráfico de crianças, relata a BBC. As autoridades gregas lançaram um apelo para que todos os que pudessem ter pistas sobre o possível paradeiro da família ou as circunstâncias em que a criança foi parar ao acampamento contactassem a organização.

Os únicos dados avançados é que tem pele branca, terá nascido em 2009, tem um metro de altura e 17 quilos. Outra hipótese colocada pelos investigadores é que a criança seja oriunda do Norte ou Leste da Europa. A Interpol também já foi chamada para o caso, diz o El País.

Até agora os testes de ADN feitos a “Maria”, nome como tem vindo a ser conhecida, confirmaram que não era filha do casal com quem estava a viver. A menina foi encontrada na quarta-feira, durante uma rusga da polícia a um acampamento cigano, por suspeitas de actividade delituosa, perto de Farsala, centro da Grécia, 280 quilómetros a norte de Atenas.

Seis crianças dadas à luz em dez meses
A BBC contou que os agentes suspeitaram do enorme contraste físico entre a criança de cabelos louros e olhos azuis e os pais. E que ficaram ainda mais desconfiados quando analisaram os documentos da família — o casal registou diferentes crianças em diferentes registos familiares regionais. A mulher alegou também ter dado à luz seis crianças num período de dez meses. No total, o casal, ela com 40 anos, ele com 39, alega ter 14 filhos. Incluindo Maria, tinha actualmente quatro consigo.

A Sky News, citando Costas Giannopoulos, director da instituição que tem agora ao seu cuidado Maria, apresenta uma versão ligeiramente diferente, mas não contraditória, do modo como foi detectada a presença de Maria. Foi, disse, a procuradora que acompanhou a operação policial quem reparou na criança: “Ela viu uma cabecinha loira saindo de debaixo dos lençóis. Pareceu-lhe estranho, e foi assim que tudo começou”. Giannopoulos explicou que a criança está confusa e chocada com o que se passa à sua volta. Era usada para mendigar nas ruas de Larissa, por ser loura e bonita, disse também.

O próprio casal vacilou na explicação sobre a origem da criança. Segundo informações já antes avançadas pelo director da polícia da província de Thessalia, Vassilis Halatsis, primeiro terão dito que encontraram “Maria” num cobertor mas, depois, disseram que a menina lhes tinha sido entregue por estranhos e, por fim, que tinha pai estrangeiro. Ficaram presos, por suspeita de rapto de menor e falsificação de registos e serão presentes a tribunal nesta segunda-feira.

À AFP, os advogados do casal insistiram que a menina nunca foi raptada ou roubada e que apenas ficaram a tomar conta dela porque em 2009 a mãe biológica não podia tomar conta dela e decidiu entregá-la pouco depois de nascer.

A notícia está também a gerar reacções por parte da comunidade cigana, com uma associação de Farsala a dizer que o casal detido tratava “Maria” ainda melhor que os seus próprios filhos e que a amavam. Temem também que esta notícia gere uma onda de discriminação contra a comunidade que vive naquele país.

No Reino Unido, o caso levou a associações à situação, que continua bem presente e sob investigação, de Madeleine McCann, a criança desaparecida em 2007 de um aldeamento turístico na Praia da Luz, no Algarve. Um porta-voz dos pais de Maddie disse ao jornal Daily Mirror que o caso de Maria lhes dá alento. “Isto dá a Kate e Gerry grande esperança de que Madeleine possa ser encontrada viva”, declarou. Outros casos voltaram também às páginas dos jornais, como os desaparecimentos de Ben Nidam e de Alex Meschisvilli – o primeiro dos quais desapareceu com 21 meses, em 1991, precisamente numa ilha grega, diz o El País.

Motivo de discussão é também a facilidade em obter documentos oficiais para crianças, mesmo quando não há qualquer parentesco com elas. “Estamos chocados com o quão fácil é registar crianças como se fossem delas próprias”, disse Costas Giannopoulos à televisão grega Skai. “Há muito mais a investigar... Acredito que a polícia irá desvendar uma trama que não tem apenas a ver com esta menina.”