Águia-imperial está a caminho dos 500 casais na Península Ibérica

As águias-imperiais-ibéricas triplicaram o número de casais em 14 anos, graças às acções de conservação desenvolvidas por Portugal e Espanha.

Um casal de águias-imperiais-ibéricas à procura de ninho perto de Barrancos
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Um casal de águias-imperiais-ibéricas à procura de ninho perto de Barrancos Gonçalo Português

A águia-imperial-ibérica é a ave de rapina mais ameaçada da Europa e uma das espécies mais sensíveis às perturbações provocadas pelo homem. O Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente de Espanha revela que os censos realizados este ano apontam para 407 casais reprodutores em toda a Península Ibérica, notícia a agência espanhola EFE. O objectivo da Estratégia de Conservação da Águia-imperial, de 2001, é chegar aos 500 casais.

Segundo os dados do Grupo de Trabalho Ibérico da Águia-imperial, esta contagem representa um aumento de 275 casais desde 1999. Em Portugal existem 11 casais e os restantes estão distribuídos pelas regiões autónomas espanholas: 150 em Castilla-La Mancha, 91 na Andaluzia, 56 em Castela-e-Leão, 50 na Estremadura e 49 em Madrid.

Esta espécie, um endemismo ibérico (vive exclusivamente nesta região), tem um estatuto de conservação vulnerável a nível mundial, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, mas está considerada criticamente em perigo no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Durante a década de 1970 deixou mesmo de nidificar em Portugal. Neste momento, está contemplada na legislação portuguesa como uma das espécies prioritárias para a definição das zonas de protecção especial para aves.

Como Portugal e Espanha partilham áreas de dispersão dos juvenis e de alimentação destas águias, houve necessidade de criar uma estratégia conjunta de conservação, cujo memorando de entendimento foi assinado em 2004. Este memorando inclui também o felino mais ameaçado do mundo, o lince-ibérico, como indica a agência Lusa.

O Grupo de Trabalho Ibérico da Águia-imperial definiu linhas de actuação que incluem a identificação e minimização das causas de mortalidade, a monitorização e acompanhamento dos casais e a revisão e actualização da estratégia de conservação, conforme se pode consultar no site do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, que representou Portugal no processo.

A colisão com linhas aéreas de transporte de energia e morte por electrocussão causam 50% das mortes nesta espécie. Apontam-se ainda, como factores de ameaça à sua sobrevivência, a caça ilegal e envenenamento, a diminuição do número de presas (coelhos), destruição de habitat e a perturbação dos locais de nidificação. Em Portugal têm-se trabalhado em conjunto com a EDP e com grupos de caçadores para mitigar algumas das ameaças identificadas.

Estas águias, com quase dois metros de envergadura e uns nítidos ombros brancos, são muito difíceis de encontrar. Os meses de Outubro a Fevereiro são os mais favoráveis para a sua observação, em zonas como o Parque Natural do Tejo Internacional, na região de Barrancos ou nas planícies de Castro Verde. Naqueles meses, os juvenis estão em fase de dispersão, à procura de um local para se estabelecerem.