Centenas de professores e alunos presos em manifestações em São Paulo e Rio de Janeiro

Escolha de reitores, política salarial e condições de ensino na origem dos protestos.

Cartazes ño Rio de Janeiro denunciando a violência policial nas manifestações
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Cartazes ño Rio de Janeiro denunciando a violência policial nas manifestações AFP

A polícia brasileira prendeu, na terça-feira, 256 professores e estudantes que participaram em manifestações em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o protesto foi convocado por estudantes universitários que invadiram a reitoria da Universidade de São Paulo exigindo eleições directas para a escola do reitor. Os confrontos com a polícia — que disparou balas de borracha, relata o jornal Folha de São Paulo — ocorreram durante uma marcha e quando um grupo de manifestantes partiu os vidros de uma loja de automóveis.

Foi a primeira vez que a polícia paulista usou este tipo de munições depois de as balas de borracha terem sido vetadas na sequência de mortes nas manifestações em Julho contra o esbanjamento de dinheiro com os Jogos Olímpicos e o Mundial de Futebol. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, autorizou que a polícia voltasse a usar balas de borracha na semana passada, quando montras forma partidas em manifestações de estudantes e professores que exigiram melhores condições no ensino. 

Os estudantes universitários, depois de invadirem a reitoria, dirigiram-se ao Palácio dos Bandeirantes onde queriam ser recebidos pelo governador, Geraldo Alckmin, mas a polícia impediu a progressão da marcha.

“Foi tudo premeditado para que a manifestação não ocorresse”, disse o líder estudantil Pedro Serrano, de 22 anos. “A gente foi cercado e reprimido pela polícia. Jogaram diversas bombas no meio da manifestação”, explicou, acrescentando que foi devido à intervenção da polícia que se refugiaram nas lojas que ficaram danificadas. Cinquenta e seis pessoas foram detidas.

No Rio de Janeiro, a manifestação foi convocada pelos professores das escolas municipais e estaduais contra o novo plano salarial proposto pela prefeitura (câmara municipal) do Rio e já aprovado pelos vereadores. A manifestação degenerou em violência quando os manifestantes tentaram retirar as barreiras colocadas à frente da Biblioteca Nacional e a polícia tentou impedi-los.

Foram partidos vidros de lojas e um McDonald's  foi saqueado, relata a Folha, e alguns caixotes do lixo foram incendiados. Duzentas pessoas foram detidas.