Daniel Rocha
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Ensino especial... mas pouco

Se o ensino é especial porque não o são também as crianças? Porque são elas tratadas de uma forma que de especial pouco ou nada tem?

Portugal, segunda semana do mês de Outubro do ano de 2013. Professores do Ensino Especial manifestam-se em frente ao Ministério da Educação contra a falta de condições nas escolas que funcionam segundo o princípio da educação inclusiva.

Centenas de crianças com necessidades educativas especiais continuam em casa, tal como estão os desempregados, os recém-licenciados, os aleijados, os doentes e acamados, os que não querem trabalhar e os que já não podem fazê-lo. 

E se não estão em casa, estão então incluídas em salas que não as suas, com crianças que não conhecem e professores que não têm os meios, as competências e capacidades para os ajudar. Mas onde é que isto vai parar? Onde?


A socialização é, para muitos destes meninos, a grande aprendizagem das suas vidas. Aprendem porque vêem os colegas fazer e imitam, repetem, copiam, repetem, gostam, sorriem, são felizes, na escola, entre os semelhantes e os diferentes. O que me traz à verdadeira pergunta no meio de tudo isto.


Se o ensino é especial porque não o são também as crianças? Porque são elas tratadas de uma forma que de especial pouco ou nada tem? Saberão porventura os ilustres governantes deste Ministério em particular e do outro, o irmão grande que os manda cortar, que estão a excluir estas crianças porque não arranjam forma de acertar na colocação de professores?

Já não basta o incentivo para que nos ponhamos todos a “andar daqui para fora”, a isso juntam-lhe o mal que fazem aos nossos pais e avós e somam-lhe agora a crueldade com que tratam os nossos filhos e irmãos. Aprendi nesta ainda curta mas já rica existência que este tipo de actuações e práticas estão indubitavelmente associadas às organizações mafiosas… pois, a isso mesmo.

Agora pergunto-vos: e se fossem os vossos filhos, será que era assim que tocava a música? Se chegassem ao colégio, aos Maristas, aos Salesianos, ao Sagrado Coração de Jesus e vos dissessem que um dos vossos filhos, o Bernardo, que tem trissomia 21, não pode ir à escola porque ainda não está preenchida a vaga para a professora do ensino especial e que também não tem terapeuta da fala… Mas os senhores estão a pagar um bom dinheiro por mês para terem o vosso filho em casa e ficam extremamente desagradados com a situação. E agora? Agora vão ter de arranjar um(a) professor(a) e rápido! E começam as chamadas telefónicas. Não sei o quê mas alguma coisa acaba por ser feita. Não procuro respostas. Só queria que isto não fosse assim.


O senhor primeiro-ministro diz-nos que se ele e o seu Governo falharem o país falhará também. Se isto não é falhar... Então vale a pena lembrar que:


"É no problema da educação que assenta o aperfeiçoamento da humanidade”, Immanuel Kant


e que: “A educação é simplesmente a alma de uma sociedade a passar de uma geração para a outra”, Gilbert Chesterton


Para estas crianças, especiais, com necessidades… especiais, a educação é a maior alegria das suas vidas, não retirem às crianças a infância, porque essa sim é, de longe, o que temos de mais especial.