Alunos de MBA no Porto saem do curso como super-heróis da Marvel

Ilustrador português da Marvel criou currículos a partir de personagens de ficção para "vender" as características dos estudantes do The Magellan MBA da Porto Business School no mercado de trabalho.

Ele absorve toda a informação e talento que encontra. Chama-se "The Pilgrim" e tem o poder do mimetismo. No dia-a-dia, é Vasco Furmanova Leal, de 27 anos, formado em Engenharia Civil e que trocou a República Dominicana por Portugal. Veio estudar na Porto Business School, onde é um 24 alunos finalistas do The Magellan MBA que agora foi transformado em super-herói para promover o mestrado. Os responsáveis esperam que a iniciativa sirva também para facilitar a entrada dos diplomados no mercado de trabalho.

"Esta proposta representa muito bem o programa do MBA", avalia Vasco Leal. O plano de estudos desta formação dá destaque à criatividade e às soluções inovadoras e já é um hábito da Porto Business School fazer uma promoção diferente dos seus estudantes. Já lançou vídeos de apresentação quando isso não era ainda habitual ou uma biografia gráfica com caricaturas, que envia para as empresas de recrutamento apresentando os seus alunos. "Acho que o mercado reconhece isso", diz o jovem dominicano, que já tem uma oferta de emprego de um banco português para trabalhar na área de investimento.

As reacções que chegam à universidade das empresas de recrutamento e dos empregadores dos alunos deste MBA apontam no mesmo sentido. Surpreender o mercado tem tido efeitos na atenção dedicada aos diplomados do programa Magellan, que "vai aumentado de ano para ano", valoriza o director do curso, Jorge Farinha. E isso tem impactos na empregabilidade dos estudantes: no momento da graduação, 75% já costumam estar empregados e em menos de três meses, a taxa de colocação atinge o pleno.

Tal como Vasco Leal Furmanova há outros 23 estudantes que agora acabaram o programa de MBA oferecido na Universidade do Porto. Criado em 2008, o Magellan é um programa internacional em que 65% dos alunos são estrangeiros, vindos da China, Jamaica ou Taiwan, por exemplo. Este ano, foram todos transformados em super-heróis, cujas imagens foram desenvolvidas por Filipe Andrade, um ilustrador português que trabalha para a norte-americana Marvel e é autor de personagens como o Capitão América, Wolverine, ou John Carter.

"Surpreendido" com a envergadura e ambição do projecto, o ilustrador foi tentando captar as características dos alunos nos desenhos, reunindo características físicas e outras menos visíveis na imagem de cada super-herói. Nem sempre foi fácil, recorda: "Nunca os tinha visto e a informação ia sendo filtrada até chegar até mim". Além disso, era sempre necessário encontrar um ponto de equilíbrio entre a sua vontade e a de cada um dos alunos, que tinha sempre a palavra final no desenho. Ainda assim, o trabalho final "pode orgulhar-nos a todos", acredita Filipe Andrade.

Campanha está na Internet
A campanha promocional da iniciativa foi lançada na semana passada com um sítio dedicado na Internet (http://magellanleague.pbs.up.pt/) e um vídeo de apresentação de pouco mais de um minuto onde é contado o argumento em que se baseia o conceito da Magellan League, a equipa de super-heróis saída da Universidade do Porto. "A humanidade está em perigo", anuncia a voz off, antes de explicar que uma empresa malévola criou um vírus, os chamados "agentes cinzentos", que se infiltram nas empresas, afectam as escolas e contaminam todas as organizações.

José Eduardo Ferreira é "The Racket", um nome escolhido em referência à sua modalidade de eleição, o ténis, que pratica desde a infância. Hoje tem 28 anos, uma licenciatura de base em Engenharia e Gestão Industrial e experiência profissional em várias empresas nacionais. Foi aí que garantiu o desenvolvimento do seu poder, a negociação, que usa para "comprar tecnologia para colocar ao serviço da Magellan League".

A ideia de vestir a pele de um super-herói entusiasmou-o por ser "diferente" e permitir um maior grau de curiosidade que pode atrair os empregadores. Há, porém, outro aspecto desta proposta do Magellan MBA que agrada a José Eduardo Ferreira, que é o enfoque dado às chamadas soft skills [atributos paralelos à formação principal] na definição de que cada personagem. "É isso que o mercado hoje procura", acredita.

"O mercado pressupõe que os alunos de um MBA tenham já uma formação sólida. O que vai distingui-los é a capacidade de comunicação, de negociação, de liderança ou de integração", confirma Jorge Farinha, director do curso. Por isso, o livro de apresentação dos alunos elenca depois os atributos do herói, inspirado em características da vida real de cada um, com uma pequena história que revela a sua missão na Magellan League, a biografia do estudante real e os seus interesses pessoais, à espera de cativar os empregadores.