Quase 9000 novos toxicodependentes nos centros de tratamento em 2012

Número de novos casos de dependência aumentou 70% na última década. Ministro da Saúde prepara plano de combate.

Recaídas têm vindo a aumentar, particularmente no consumo de heroína
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Recaídas têm vindo a aumentar, particularmente no consumo de heroína Sérgio Azenha/Arquivo

No ano passado chegaram aos centros de tratamento de toxicodependentes 8844 novos casos, o valor mais elevado desde 2000. Segundo um relatório ao qual o Expresso teve acesso, o número de novos casos de dependência disparou 70% na última década.

O relatório de 2012 sobre a situação da droga em Portugal só será divulgado no próximo mês mas o semanário já teve acesso a alguns números. Segundo dados do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o total de toxicodependentes em tratamento chegou aos 38.900 no ano passado – mais dez mil do que em 2003.

Além do aumento exponencial de toxicodependentes a pedir ajuda nos centros de tratamento, registou-se um aumento das recaídas, particularmente no consumo de heroína – de 1843 casos em 2011 passou para 2881 em 2012. José Goulão, director-geral do SICAD, diz ao Expresso que “o consumo de heroína está ligado ao alívio do sofrimento, o que explica o seu recrudescimento nesta altura de crise”. Em zonas como o Bairro Alto, em Lisboa, esse aumento “já é visível nas ruas”, acrescenta.

Goulão defende que para travar este aumento é importante garantir que as unidades terapêuticas mantêm a capacidade de resposta, sem listas de espera.

O Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências, que esteve em discussão pública, deverá ser aprovado no final deste mês de Outubro. Além das drogas e do álcool, deverá abranger também o vício do jogo.

Já neste sábado, em Almada, Paulo Macedo confirmou que está a ultimar esse plano, mas não deu pormenores.

"Nós temos factores na área da toxicodependência que têm tido uma evolução positiva na última década, temos outros que nos preocupam", disse o ministro, citado pela Lusa. "Num período tão longo [dez anos], há questões relacionadas com a economia, como o desemprego, que tem fenómenos de ligação, mas também há outras questões, culturais e sociais", analisou.

"O que nós temos que ver - é para isso que temos um plano - é como temos de atacar [a toxicodependência] nas diversas vertentes", acrescentou Paulo Macedo.

Com a integração dos serviços do Instituto da Droga e da Toxicodependência nas administrações regionais de saúde, a identificação precoce dos consumos abusivos passa a ser feita por médicos ou enfermeiros dos cuidados primários de saúde. 

Notícia actualizada às 17h23

, com declarações do ministro da Saúde.