Rui Moreira e Manuel Pizarro têm acordo quase feito para o Porto

PSD ainda não sabe se Menezes vai para a Câmara do Porto
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PSD ainda não sabe se Menezes vai para a Câmara do Porto

É provável que o PS venha a ficar com responsabilidades na área do urbanismo e da reabilitação urbana

O acordo pós-eleitoral que está a ser delineado entre o novo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e o primeiro vereador socialista, Manuel Pizarro, "está orientado, mas ainda não está concluído" e, ao que o PÚBLICO apurou, os dois autarcas devem reunir-se ainda esta semana para avançar um pouco mais nas negociações.

O assunto está a ser tratado com todo o cuidado para que dentro de dias haja fumo branco, mas a questão não é pacífica no PS, muito embora haja figuras do proa do partido que, em surdina, enfatizam as vantagens de um entendimento. "Seria vantajoso para a cidade haver um acordo com Rui Moreira", adiantou ontem ao PÚBLICO fonte socialista, sublinhando que os partidos não podem ficar indiferentes aos sinais que a cidade deu nestas eleições.

Internamente, Pizarro vai ter alguma dificuldade em fazer vingar a sua tese. O líder da distrital do PS-Porto, José Luís Carneiro, tem uma posição muito clara sobre esta matéria, frisando que o partido deve estar disponível para apoiar a governação de Rui Moreira, através de um "compromisso programático", mas sem assumir responsabilidades executivas, porque o PS quer manter-se como alternativa a Rui Moreira em futuras eleições. Ora sucede que uma negociação como a que está a ser feita com o novo presidente compreende a entrega de pelouros ao PS, que poderá vir a ficar com responsabilidades na área do urbanismo/reabilitação urbana. Já a questão da vice-presidência, que alimentou muitos comentários nos últimos dias, parece estar de fora das negociações entre Moreira e Pizarro, que estarão empenhados em gizar um acordo que sirva a cidade.

Fonte socialista salientava ontem que, se houver entendimento entre as duas partes, a cidade olhará para este acordo como um acto de abertura e de humildade democrática do PS. Se a concelhia do PS-Porto, que se reúne amanhã à noite, der luz verde ao acordo, Pizarro sairá legitimado para fechar as negociações com Rui Moreira.

No PSD a discussão centra-se nos vereadores que vão ocupar os lugares no executivo e na Junta Metropolitana do Porto. O PSD, o partido com mais câmaras (oito), já veio reclamar a liderança da junta.

Quanto aos vereadores, mantém-se a incógnita relativamente a Luís Filipe Menezes, que ontem regressou de um período de férias. O PSD continua sem saber se Menezes vai ocupar o seu lugar na vereação ou se prefere suspender. Ontem à tarde, o Jornal de Negócios informava na sua edição online que Menezes tinha decidido suspender o mandato temporariamente até ao final do ano, assumindo funções a partir do início de 2014, mas o partido desconhecia esta decisão. "Não falei com ninguém e não posso confirmar essa informação", disse ao PÚBLICO o deputado e presidente da distrital do PSD, Virgílio Macedo, que deverá conversar nos próximos dias com Luís Filipe Menezes.

A notícia adiantava, por outro lado, que Amorim Pereira e Mónica Baldaque, os outros dois vereadores eleitos na lista de Luís Filipe Menezes, iam assumir o lugar respectivo no futuro executivo autárquico. Contactado pelo PÚBLICO, o advogado Amorim Pereira, o número dois da lista, limitou-se a dizer que não tinha falado com ninguém quanto a essa questão, mantendo aquilo que dissera na véspera, ou seja, que ainda não tinha decidido se ia ocupar o cargo. Já Mónica Baldaque adiantou ontem ao PÚBLICO que só vai decidir se assume o seu cargo de vereadora na Câmara do Porto depois de se reunir com Luís Filipe Menezes, que a convidou para a lista.