Chinês obrigatório para 600 alunos da primária

Em São João da Madeira, aprender Mandarim, projecto pioneiro no país, é obrigatório nos 3.º e 4.º anos. Inglês é facultativo.

Foto
O projecto de aulas de Chinês começou com 300 alunos, agora duplicou e quer chegar ao 12.º ano ADRIANO MIRANDA

Em Janeiro deste ano, 300 alunos de 13 turmas do 3.º ano começaram a aprender Chinês como disciplina incluída no currículo, não como Actividade de Enriquecimento Extracurricular (AEC), nas nove escolas do 1.º ciclo de São João da Madeira. A partir de então, o Mandarim faz parte da estrutura curricular com uma hora por semana. Obrigatório, não facultativo, mas sem qualquer peso na avaliação final. Este ano lectivo, o modelo mantém-se para o dobro dos alunos, 600 no total, dos 3.º e 4.º anos do 1.º ciclo. O Inglês, que Nuno Crato quer tornar obrigatório no primeiro nível de ensino, continua a integrar as AEC e a frequência desta disciplina facultativa atinge praticamente os 100%.

Os alunos da professora Ana Mota, da EB1 do Parque de São João da Madeira, passaram para o 4.º ano e continuam a aprender Mandarim às terças-feiras das 11h00 às 12h00 - além do Inglês nas AEC. O entusiasmo salta à vista. "É um projecto fantástico, uma mais-valia para os meninos", refere a docente que acompanha as aulas de Chinês e vai aprendendo uma ou outra palavra. "Os garotos estão absolutamente curiosos com a língua, a tal ponto que até cumprimentam os professores de Inglês com um "olá" em Chinês. Não andam aqui a brincar ao Chinês", conta. Ana Mota aplaude as ideias que estão por detrás deste ensino e concorda que a disciplina integre o programa curricular. "A experiência é extremamente positiva".

O ensino do Mandarim no mais pequeno município do país, em termos de área, não passou despercebido ao Ministério da Educação e Ciência (MEC). Bem pelo contrário. O MEC avaliou o projecto pioneiro no país e não colocou entraves à sua continuidade. Uma equipa esteve no terreno, observou aulas, falou com professores, alunos e encarregados de educação, e reconheceu as potencialidades desta primeira abordagem à aprendizagem do Chinês. No despacho assinado pelo secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, que assistiu a uma aula no arranque do projecto, realça-se "a recompensa que pode advir da compreensão de uma das línguas mais faladas do mundo" e destaca-se "a mais-valia que o projecto representa para os alunos". Nesse sentido, o ministério propõe o aprofundamento do projecto, nomeadamente ao nível de articulação, supervisão e acompanhamento.

A ideia de ensinar Mandarim aos alunos do 1.º ciclo partiu da câmara são-joanense, que não quer passar ao lado da afirmação da China como grande potência mundial e do crescimento económico do Oriente. Na sua opinião, investir na aprendizagem da língua chinesa significa aumento de empregabilidade, maior competitividade empresarial, horizontes que se alargam em termos industriais. Delineou um projecto pioneiro, que acredita que terá impacto no futuro, contratou professores da Universidade de Aveiro, e decidiu suportar todas as despesas do ensino do Mandarim, que este ano rondam os 60 euros por aluno. "As crianças que aprendem Mandarim aprendem, em simultâneo, a ver mais longe", defende o presidente da Câmara de São João da Madeira, Ricardo Figueiredo.

A autarquia não quer ficar por aqui e, desde a primeira hora, assumiu a intenção de alargar progressivamente o ensino do Chinês ao 12.º ano. Passo a passo. No próximo ano lectivo, a vontade é leccionar no 5.º ano, entrando assim no 2.º ciclo e acompanhando os alunos que estão agora no 4.º ano. São João da Madeira não quer descurar a sua vocação exportadora e vê nas relações com a China uma oportunidade de desenvolver a economia local. Saber falar Chinês é, por isso, fundamental. O presidente da câmara não tem dúvidas: "O conhecimento da língua e sobretudo da cultura chinesas colocarão São João da Madeira numa situação privilegiada para estabelecer laços económicos com este novo mundo a Oriente, o que abrirá aos são-joanenses imensas oportunidades que nos irão surpreender".

Sugerir correcção