Obama alerta para o efeito do shutdown na dívida americana

Reunião entre o Presidente e líderes republicanos e democratas do Congresso não deu resultados. Casa Branca espera que "bom senso prevaleça".

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Barack Obama reuniu-se com os líderes do Senado e da Câmara dos Representantes Jewel Samad/AFP

O Presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a bolsa de Wall Street deve preocupar-se com o facto de uma facção republicana poder permitir que o país entre em incumprimento da sua dívida.

Numa entrevista televisiva, na quarta-feira, Obama declarou-se "exasperado" com a situação. Já depois disso manteve contactos com os líderes do Congresso sem que tivesse havido um acordo para ultrapassar o shutdown o encerramento parcial dos serviços governamentais.

A declaração do Presidente dos EUA ocorreu depois de um encontro com os líderes de alguns dos maiores bancos cotados em Wall Street, incluindo o JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Bank of America. Obama declarou-se indisponível para negociar "com a ala extremista de um partido".

Republicanos e democratas responsabilizam-se mutuamente pela falta de entendimento sobre o orçamento e pelo impasse. Os primeiros controlam a Câmara dos Representantes e recusam-se a aceitar a reforma do sistema de saúde conhecido como Obamacare; os democratas têm maioria no Senado.

O risco de incumprimento a que Obama aludiu aconteceria se os dois partidos não se entendessem sobre o alargamento do limite de dívida pública que o país pode ter. O limite é actualmente de 16,7 biliões (milhões de milhões) de dólares (12.300.000.000.000 euros), mas será ultrapassado a 17 de Outubro.

Os banqueiros que se reuniram na quarta-feira com Obama são membros do Financial Services Forum, um grupo que, juntamente com 250 outros empresários, escreveu ao Congresso, pedindo o aumento do limite da dívida.

Na quarta-feira à noite, Obama reuniu-se com os líderes republicanos e democratas da Câmara dos Representantes e do Senado. Mas o encontro não teve resultados positivos e ambos os partidos acabaram a acusar-se de inflexibilidade.

Apesar disso a Casa Branca informou que o Presidente continua esperançado de que o "o bom senso prevaleça". Um comunicado da Presidência mantém que a solução do problema está na mão da Câmara dos Representes, que "pode decidir hoje reabrir o governo e acabar com os danos que o shutdown está a provocar à economia e às famílias".

Os serviços considerados não essenciais encerraram parcialmente na terça-feira, depois de o Congresso não ter chegado a um acordo sobre orçamento para o ano financeiro de 2013/2014. Cerca de 800 mil funcionários ficaram em casa, sem salários.

Segundo dados da Casa Branca, citados pelo New York Times, os últimos dois shutdowns (em 1995 e 1996) custaram 1400 milhões de dólares, o que equivalente a 2100 milhões de dólares hoje em dia (1550 milhões de euros).