Mais de 650 mil casas não usam água da torneira

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Recurso a fontes alternativas está a aumentar com a crise adriano miranda

Crise leva mais portugueses a usar poços e furos. Entidade reguladora alerta para riscos de contaminação

Cerca de 13% das habitações em Portugal não estão ligadas à rede de abastecimento de água. São 655.094 alojamentos que não usam água da torneira, ou porque estão desocupados ou porque se abastecem a partir de poços ou furos domésticos.

O recurso a fontes alternativas está aumentar com a crise. A situação preocupa a Entidade Reguladora para os Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), que alerta para o risco de se estar a consumir água poluída.

Jaime Melo Baptista, presidente da ERSAR, diz que os poços e furos estão mais sujeitos a contaminação. E não há garantia de que a água captada no quintal de uma habitação seja controlada em termos de qualidade com o mesmo nível da que sai da torneira. "A probabilidade de se consumir uma água não adequada é muito elevada", avisa Melo Baptista.

Esses números referem-se a 2011, mas há sinais de que, com a crise, está a aumentar a procura de alternativas para poupar na factura da água. "Temos tido reclamações crescentes dos operadores", afirma Melo Baptista.

Os preços da água têm vindo a subir nos últimos anos, reflectindo cada vez mais os custos dos serviços de abastecimento, conforme é exigido pela legislação. Em 2012, a factura média de uma família, para a água, saneamento e resíduos, subiu 8%, segundo dados da ERSAR.

A taxa de adesão das casas aos sistemas de abastecimento será agora revista, com dados de 2012, num relatório que sairá ainda este ano, sobre a qualidade dos serviços prestados aos utilizadores.

Um primeiro relatório, sobre a qualidade da água em 2012, foi divulgado ontem. A sua principal conclusão é a de que 98,2% da população foi abastecida com "água segura" - um indicador que significa que a água é controlada e tem qualidade. Em 2011 eram 98,07%. A meta para 2013 é chegar aos 99% e, segundo Jaime Melo Baptista, "está praticamente atingida".

Foram feitas 550 mil análises à água, representando 99,85% das obrigatórias. A taxa de cumprimento dos limites de poluição foi de 98,35%. Os 1,65% restantes têm a ver sobretudo com sistemas de abastecimento pequenos, onde ainda há problemas de desinfecção da água, ou em locais onde há contaminação natural por elementos como ferro, manganês ou arsénio.

Os furos e poços particulares representam uma origem de água que não está abrangida pelo sistema de controlo da ERSAR, daí a preocupação da entidade.

Também os fontanários estão na mira da ERSAR. Em 2012, foram controlados 313 que servem de fonte única de água a cerca de 20 mil pessoas. A maior parte está na região centro (57%). Cerca de 93% dos fontanários fornecem "água segura", contra a média nacional de 98%. De todas as análises que revelam problemas na qualidade do país, uma em cada seis análises (16%) refere-se a fontanários.