Nova etiqueta informa quanto carbono é retido por cada produto florestal

A Etiqueta Escala de Carbono destina-se a empresas e entidades produtoras e fabricantes de produtos de origem florestal.

Filipe Morato Gomes
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Filipe Morato Gomes

Os consumidores e vários profissionais vão poder escolher produtos de origem florestal que armazenem mais carbono, contribuindo para o combate às alterações climáticas, uma informação constante na nova Etiqueta Escala de Carbono.

A Etiqueta Escala de Carbono é uma informação ambiental, de adopção voluntária, lançada agora pela Associação para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal (AIFF), e que indica a quantidade de carbono armazenado por determinado produto de origem florestal, como mobiliário, peças de decoração, revestimento ou pavimento de cortiça e painéis derivados de madeira, explicou à agência Lusa Isolete Matos, da direcção daquela organização.

A distinção, que será apresentada na quinta-feira, em Lisboa, demonstra também tratar-se de um produto que respeita os princípios da gestão florestal sustentada.

Permite ainda que consumidores e profissionais, como arquitectos, designers ou engenheiros civis "possam fazer escolhas mais conscientes no que respeita a materiais de construção", explicou Isolete Matos.

Através do processo de fotossíntese das árvores e das plantas, as florestas capturam dióxido de carbono, sendo importante que sejam preservadas.

Os produtos de origem florestal, ao contemplarem na sua composição fibras de madeira, estão a reter carbono, uma capacidade de armazenamento que se mantém ao longo do seu ciclo de vida, mesmo quando transformados em revestimento de paredes, em pavimento ou em peças de mobiliário, como referiu a responsável da AIFF.

A Etiqueta Escala de Carbono destina-se a empresas e entidades produtoras e fabricantes de produtos de origem florestal, como a indústria dos painéis derivados de madeira e da cortiça.

Entre os critérios de atribuição da Etiqueta Escala de Carbono está a exigência de serem produtos de origem florestal detentores de EPD (declaração de produto ambiental) que apresentem uma percentagem de, pelo menos, 30% de matérias-primas com origem na fileira florestal.

Para ajudar a comunicar o conceito de captura de carbono e clarificar o papel dos produtos de origem florestal como armazenadores de carbono foi criado o Arvatar, um personagem que habita a floresta e que vai "ensinar" ou "recordar" de forma lúdica estas informações.

A AIFF refere que as florestas correctamente geridas são sumidouros de carbono mais eficientes do que as florestas em estado selvagem, pois as árvores jovens absorvem mais dióxido de carbono que as maduras que, ao morrerem e apodrecerem devolvem aquele gás à atmosfera.

"Ao retirar as árvores maduras antes que morram, assegurando a sua replantação, a floresta mantém elevados níveis de sequestro e armazenamento de dióxido de carbono", acrescenta a associação.