Banca perde 8000 trabalhadores no âmbito do processo de reestruturação

Obrigada a cumprir planos de recapitalização e a ajustar a estrutura à redução do nível de actividade, o universo de efectivos na banca portuguesa reduz-se em 8000 desde a chegada da troika até 2017.

Os sindicatos reúnem-se hoje para analisar processo de reestruturação proposto pelo BCP
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Os sindicatos reúnem-se hoje para analisar processo de reestruturação proposto pelo BCP Paulo Ricca/Arquivo

Entre Junho de 2011 (data da chegada da troika a Portugal) e 2017, final do período de recapitalização da banca, terão deixado o sector bancário nacional mais de oito mil trabalhadores (quase 20% do total). Esta quarta-feira, o secretariado da Febase (a federação sindical do sector bancário) reunir-se-á para decidir se inicia negociações com o BCP, no quadro do plano de ajustamento salarial que foi posto em cima da mesa.

O caso mais mediático é, neste momento, o do BCP, que entre Junho de 2011 e Junho de 2013 já dispensou mais de 1500 colaboradores, encontrando-se actualmente em negociações com os sindicatos para avançar com um plano de cortes salariais, o que será uma estreia no sector bancário português. Esta solução, segundo Mário Mourão, secretário-geral da Febase, foi sugerida aos sindicatos pelo banco para evitar o despedimento colectivo entre 1500 e 1700 colaboradores e permitir uma poupança de custos de 135 milhões de euros até 2017, uma condição prevista no acordo de recapitalização (o BCP recebeu 3000 milhões de fundos estatais).

Em 2012, por exemplo, os bancos portugueses encerraram centenas de balcões e dispensaram mais de 2500 trabalhadores, sendo que mil eram oriundos do BCP e 530 do Banif (outro banco intervencionado, mas ainda em negociações com a Comissão Europeia para aplicar remédios). O BPI reduzirá a sua força laboral em 600 funcionários entre 2012 e 2015, a Caixa Geral de Depósitos em cerca de mil, além do Banco Espírito Santo e do Santander, mais de 300, este ano.

O movimento de rescisões no sector financeiro acentuou-se a partir de 2007, com a crise financeira. O ajustamento da estrutura de pessoal à actividade bancária está associado à queda do volume de negócio, nomeadamente, na componente de crédito e, em particular, no financiamento à habitação. Até final da década passada cerca 50% do negócio feito aos balcões dos bancos estava relacionado com crédito à compra de casa, uma tendência que desapareceu. O sector sustenta ainda os seus programas de redução de trabalhadores com a baixa das taxas de juro que levou à queda do produto bancário e retirou rentabilidade às instituições.

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