Sem Amílcar Cabral, "ninguém tinha óculos para ver onde estava o problema"

Os sonhos que animavam os que, há 40 anos, proclamaram a independência deram lugar a desilusões. Nem os veteranos nem os que nasceram depois da guerra escondem desencanto

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A maioria dos guineenses cresceu num país desestruturadoDepois de uma luta bem- -sucedida, os sonhos deram lugar à decepção Manuel Roberto

A primeira pergunta a fazer quando se vai comprar um telemóvel em Bissau é se tem lanterna. Compreende-se: a capital guineense é, quando a noite cai, uma cidade mergulhada na escuridão. A electricidade falta sem aviso, sem que se saiba porquê nem quando voltará. O abastecimento de água é frequentemente afectado pela falta de energia para o bombeamento. Mesmo no centro, principalmente na estação das chuvas, algumas estradas chegam a lembrar crateras. Caminhar a pé de noite, sem luz, pode ser uma aventura acidentada.

No país onde, há 40 anos, uma guerrilha bem-sucedida, militar e diplomaticamente, proclamou a independência unilateral, está longe, muito longe, do que sonhou quem lutou contra a colonização portuguesa. Uma longa sucessão de golpes de Estado, assassínios políticos e corrupção são imagens que se colaram a um país que os indicadores atiram para o grupo dos mais pobres do mundo e é ensombrado pelo tráfico de droga. Amílcar Cabral "sonhou muito mais do que isto", diz Flora Gomes, de 63 anos, que filmou a proclamação da independência, numa mata de Lugadjol, região de Boé - não Madina do Boé, como foi propagandeado. Sem ele "ninguém tinha óculos para ver onde estava o problema. Muita gente que estava com ele na guerra não estava preparada para as exigências".

O modo como Cabral conduziu a luta pela independência, conjugando vertente militar com acção política, e a importância que dava ao desenvolvimento - o "programa maior", que completasse o "programa menor", que era conseguir a independência - fazia supor que a Guiné pudesse ter um percurso modelar. Mas a realidade depressa desmentiu a ideia. A história fala por si. Em 1980, João Bernardo Vieira, "Nino", derrubou Luís Cabral da presidência e pôs ponto final no projecto binacional de Amílcar. Começava o que os cabralistas vêem como "o desmoronamento de tudo o que tinha sido feito". O golpe era apenas o primeiro de muitos. Os últimos episódios da já crónica instabilidade foram o derrube do primeiro-ministro Gomes Júnior, a meio do processo eleitoral para a escolha de novo Presidente, em 2012, e posteriores actos de violência contra opositores da sublevação militar.

É com a instabilidade, a violência político-militar e indicadores que colocam a Guiné-Bissau entre os países com baixíssimos índices de desenvolvimento que a maioria da população cresceu. Mais de 60% dos guineenses têm menos de 24 anos, os que nasceram já depois da independência serão 70% a 80%. Se a luta contra o colonialismo dirá hoje pouco à maioria, Cabral continua a ocupar lugar único, quer nas palavras de quem com ele conviveu, quer dos jovens que se revêem nos seus ideais. É difícil encontrar quem não se reclame da herança do líder fundador e quem não pense que com ele o país seria outro. "Estamos numa fase que não vivemos nem nos piores momentos da construção nacional. Temos conflitos que se transformam em guerras e golpes. Estávamos longe, mas longe, de pensar em qualquer coisa parecida", diz Mário Cabral, de 72 anos, que participou na proclamação de Lugadjol, a 24 de Setembro de 1973, oito meses após o assassínio de Amílcar Cabral por militantes do seu próprio partido, o PAIGC (Partido Africano da Guiné e Cabo Verde)."

Não conseguimos uma verdadeira independência. Persiste um grande sentimento de frustração, de amargura e de desânimo", diz Yasmine Cabral, de anos, conselheiro de direitos humanos do Uniogbis, missão da ONU para a consolidação da paz.

Rappers denunciam "traição"

Letras de música rap crioula têm denunciado o que apresentam como "traição" dos dirigentes dos ideais de Amílcar Cabral. Muitos jovens, observa Miguel Barros, de 33 anos, sociólogo que estudou essas narrativas, encaram os antigos combatentes "não com dignidade e orgulho, mas como foco dos problemas". "Começaram-se a matar uns aos outros e perderam crédito juntos dos mais novos", diz o também director executivo da organização não-governamental Tiniguena - Esta Terra é Nossa.

A situação foi agravada pelo envolvimento de alguns dos antigos combatentes no narcotráfico. É o caso de Bubo Na Tchuto, que se juntou à luta armada aos 14 anos e mais tarde se tornou chefe da Marinha, que foi capturado em Abril por agentes norte-americanos, em alto mar.

Casos como o de Bubo ou as acusações dos EUA contra António Indjai, o líder do último golpe e actual homem forte do país, suspeito de tráfico de droga, reforçam a ideia de que a Guiné é um narco-Estado. Yasmine Cabral, ex-professor na Faculdade de Direito de Bissau, acha que há exagero neste retrato: "O Estado não é um narco-Estado, a sua fragilidade torna-o incapaz de controlar o tráfico. O Estado é vítima do narcotráfico. Mesmo que decidisse combatê-lo, não tem recursos para o fazer".

O Estado forte, de partido único, que a Guiné conheceu nos primeiros anos da independência, com ambiciosos projectos de industrialização, deu lugar à incapacidade de assegurar o "mínimo necessário" à população. Após a guerra interna de 1998-1999, acentuou-se a desagregação do Estado e a insubordinação do poder militar. Algo impensável para alguns dos que combateram o colonialismo e conheceram Cabral.

Amílcar "insistiu muito que não tínhamos militares, mas militantes armados", diz Mário Cabral, junto à sede do partido, na Praça dos Heróis da Independência, a que quase todos em Bissau chamam ainda Praça do Império. "O militar estava subordinado ao poder político. Nem "Nino"nem alguns dos seus colaboradores foram capazes de entender isso e também não foram capazes de manter uma liderança capaz de unir e de criar estruturas para o desenvolvimento."

Amílcar - recorda Filinto Vaz Martins - dizia aos combatentes: "Vocês não pensem que vão governar a Guiné. Vocês têm o estatuto de libertadores da nossa pátria". Mas "as pessoas não se sentiam bem só nisso, queriam ser os primeiros governantes e não tinham capacidade de gestão. Nem eu", diz este engenheiro electrotécnico, de 76 anos, formado em Lausanne que, nos anos 1970, foi subcomissário da Indústria, Energia e Hidráulica. Poucos anos após a independência, "começaram os golpes, as ambições pessoais de quem estava nas fileiras e que não tinha a dimensão para perceber quanto valia o passado", acrescenta, lamentando opções como o "grande disparate" que considera ter sido a separação de Guiné e Cabo Verde.

"Se o Amílcar não morresse, não haveria isso", diz Carmen Pereira, de 77 anos, veterana da luta contra a presença colonial, comissária política na frente Sul, à data da independência, mais tarde presidente da Assembleia Nacional Popular. Dos golpes não quer falar. Mas, sentada na sua casa do centro de Bissau, recorda que antes "os militares submetiam-se ao Governo, agora é o Governo que se submete aos militares".

Lúcio Soares, de 71 anos, que, na altura da proclamação da independência chefiava os guerrilheiros do PAIGC no Norte, reconhece que as coisas "não correram como estava previsto". Acredita que, com Cabral, teria sido "muito e muito diferente". "Não haveria essas histórias de golpes, golpes, golpes, golpes, ou haveria um atentado contra ele também, para tentar eliminá-lo."

"Uma Suíça em África"

Nhaga Mané, enfermeira que em 1973, ainda adolescente, estava em Quitafne, no Sul, numa zona controlada pelos independentistas, é particularmente crítica do trajecto do país. "Tudo isso fez a Guiné- -Bissau voltar para trás." Também ela, aos 56 anos, mantém "a certeza" de que com o líder fundador "teria sido muito e muito diferente". "Faltou-nos o Cabral e faltou num momento importante da luta", quando os desafios eram de desenvolvimento, considera Mário Cabral.

O desencanto é verbalizado nas conversas com mais ou menos veemência. Mas ninguém o esconde. Armando Ramos, de 77 anos, militante do PAIGC desde os primeiros tempos da guerra, mais tarde ministro do Comércio, ainda se recorda do que o animava. "O ideal, a ideia do partido, era fazer da Guiné a Suíça de África", diz o ainda hoje membro do comité central. "O que correu mal foi o golpe de Estado que se deu; os valores inverteram-se e o país tornou-se incontrolável."

"A Guiné que nós sonhávamos não é esta que temos. Temos um território, mas a ideia que tínhamos não é esta, infelizmente", concorda Lúcio Soares, um dos signatários dos acordos de Argel, onde, em Agosto de 1974, foram definidos os termos da transmissão de poder no território. "As coisas não correram como estava previsto."

"Falta muita coisa do que sonhámos. Sonhámos com um país independente, próspero, de progresso, de paz e segurança", diz Carmen Pereira. "No princípio estava tudo bem. Depois começaram a aparecer problemas", reconhece a mulher que se tornou num dos símbolos da luta pela independência, lamentando - como "tragédia total" - desvios como a morte por fuzilamento, no pós-independência, de comandos africanos que tinham integrado o Exército colonial.

"Sonhávamos com uma Guiné que avançasse rapidamente na senda do desenvolvimento, sobretudo da população rural, de que o PAIGC era devedor", afirma Filinto Vaz Martins, a quem Cabral, em resposta à sua disponibilidade para integrar a luta armada, lhe disse para continuar a estudar: "Fica, podes ser muito mais útil na Guiné independente". Hoje, ao falar do seu país, numa conversa no Instituto Francês de Bissau, não hesita em contar o que já ouviu em melodias como as que foram estudadas por Miguel de Barros: "Há os que cantam que, se Cabral se levantasse hoje, morria imediatamente".

Filinto, que aderiu ao PAIGC na década de 1960, continua a pensar que a luta pela independência "valeu a pena no aspecto do nacionalismo", mas está desiludido. "Se se tivesse galvanizado a população para o desenvolvimento, teria valido a pena completamente."

Guerra é "muito mais leve"

Amílcar Cabral, a língua crioula e o 24 de Setembro são, para Miguel Barros, "elementos de agregação" dos guineenses. Mas o desgoverno, a incapacidade do Estado em garantir serviços básicos e as privações deram lugar à decepção. O salário com que, em média, os guineenses têm de se governar varia entre os 50 mil e os 75 mil francos CFA (75 a 100 euros). Muitos recebem abaixo disso. Comer um shawarma e beber um refrigerante custa em Bissau, dependendo do local, uns dois mil francos.

"A independência tal como foi concebida em Boé, que era ter não só liberdade mas também desenvolvimento, escola, pão, educação - o programa maior, o objectivo principal -, ficou pelo caminho", diz Yasmine Cabral. "Somos um povo pacífico, as cíclicas crises vividas na Guiné dariam, noutras paragens, lugar a uma guerra civil, mas continua a reinar o sentido de unidade, apesar de alguma classe política fomentar o tribalismo."

Nhaga Mané acha que "valeu a pena" ter aderido à luta anticolonial quando ainda era criança, depois de ter visto uma coisa que a chocou - os soldados portugueses entrarem na sua aldeia e "quebrarem o pote de água e espalharem o arroz". Não se arrepende, mas conclui que, afinal, a independência não acabou com os abusos, só "com os abusos dos brancos".

"A guerra era muito mais leve. Trabalhar, fazer bem, é mais pesado", considera esta mulher que recebeu formação na União Soviética, admira o Cabral que conheceu e teve a primeira desilusão quando conheceu Bissau, após a independência. Imaginava uma cidade "tipo Moscovo, tipo Egipto". Maior foi a decepção com as divisões que depois ocorreram, que a levaram a emigrar para Portugal, onde viveu 24 anos. Só regressou a pedido de Malam Bacai Sanhá, o primo eleito Presidente em 2009, cuja morte, no início de 2012, deixou campo aberto ao mais recente golpe de Estado.

"O mal, para mim, foi abrirem as fileiras, deixarem entrar esse pessoal", considera Nhaga, que há 40 anos estava integrada num grupo liderado por Pedro Pires, dirigente do PAIGC que veio a ser Presidente de Cabo Verde. Não identifica "esse pessoal", mas diz que "se preocupam em ter postos" e que quando não os têm "arranjam guerra".

O modo desassombrado com que Nhaga Mané fala - ou as afirmações, mais contidas no tom, embora também críticas, de Carmen Pereira, Armando Ramos, Mário Cabral ou Lúcio Soares - não são a regra, considera Carlos Schwarz Silva, director executivo da organização não-governamental Acção para o Desenvolvimento. "Questionar o passado, certos aspectos da luta, e sobretudo do pós-independência, acaba por cair em cima deles próprios. Preferem remeter-se a lugares-comuns para sua própria defesa. São prisioneiros de uma conjectura em que são os protagonistas. Nunca se demarcaram nem tiveram espírito crítico."

Carlos Silva acha que declarações como as Manuel Saturnino, vice-presidente do PAIGC, que, apesar do que os separa, chegou ao ponto de defender António Indjai, que derrubou o Governo do seu partido, por ser um antigo combatente, mostram que muitos veteranos pensam ter "de se defender uns aos outros para se justificarem a si próprios". Em 1973, Indjai tinha 18 anos.

Identidade versus poder

No documentário sobre os 40 anos da independência que está a preparar, Flora Gomes deparou-se, ao entrevistar antigos combatentes, com o verso e o reverso dos olhares guineenses sobre o caminho percorrido desde a independência. Em Morés, no interior, encontrou uma mulher que, no tempo da guerra, cantava para animar e disfarçar a fome dos combatentes. Esquecida, sem pensão, contou-lhe que "valeu a pena porque tem bilhete de identidade, bandeira, hino e muitos sobrinhos e familiares que andam pelo mundo". A independência valeu, para ela, pela afirmação de identidade e pela abertura ao mundo. Em Bissau, outra mulher que esteve no Sul durante a guerra, e cozinhava para Amílcar Cabral quando ele ia à sua zona, não hesitou em dizer ao cineasta que "se houvesse mais luta não estaria disponível para se envolver, seria colaboradora do colonialismo, porque", explicou, "os que colaboraram estão mais bem servidos na actual Guiné".

Carlos Silva, de 63 anos, estará mais de acordo com a mulher de Morés. "Há uma coisa que ninguém nos tira - é que a independência nos deu uma identidade própria e isso já a justifica", diz. Mas para muitos guineenses, reconhece, hoje "independência é igual a desemprego, fome, ensino desorganizado". "Pepito", como todos o conhecem em Bissau, vê nas primeiras decisões dos dirigentes do PAIGC, chegados a Bissau, em 1974, o prenúncio do que viria depois: "O ministro da Agricultura foi viver na casa do director de Agricultura do tempo dos portugueses, o ministro da Justiça foi ocupar a casa do juiz... Tinha de dar nisto."

Sem a memória nem a vivência desses primeiros anos, Yasmine Cabral tem um olhar igualmente crítico sobre o trajecto do país. "Os libertadores não conseguiram interpretar bem os objectivos da luta e começaram a instalar um Estado violento, de perseguição de adversários", afirma. "Os libertadores actuam como proprietários do Estado."

Luís Martins, de 41 anos, presidente da Liga dos Direitos Humanos, está entre os que entendem que a independência "trouxe de bom a identidade" guineense. Mas alinha no tom de críticas ao rumo tomado. "O Estado falhou redondamente e as aspirações que conduziram a luta de libertação nacional e os propósitos da luta, também", diz. Preocupa-o viver "num país onde reina a impunidade" e também o que vai ouvindo em Bissau: "Os mais ousados chegam a dizer que havia mais Estado na época colonial. Havia um regime muito duro, mas havia instituições a que se podia recorrer e não uma propensão para o recurso à justiça privada."

Declarações nostálgicas e as que atribuem aos antigos combatentes a responsabilidade pela actual situação da Guiné-Bissau são, para Lúcio Soares, que já foi chefe das Forças Armadas, "um desabafo dos jovens que, quando estão cansados, dizem: "Eh, pá, esses combatentes...". Acho que é mais isso. Não há ninguém que não queira a independência."

Militares "são incitados"

Quem é responsável pela situação a que o país chegou? Agnelo Regalla, de 61 anos, membro do PAIGC entre os anos 1960 e o início da década de 1990, primeiro director da rádio nacional, poeta, político, dá a sua resposta: "Somos todos. Há uma tendência para dizer que a responsabilidade cabe exclusivamente aos militares, mas eu diria que também se prende com a classe política que, em vez de pensar nos interesses globais do país, pensa nos seus interesses, o que dá origem ao clientelismo político e à corrupção".

Regalla, agora líder da União para a Mudança, um partido que aspira a recuperar a representação parlamentar ,não quer, "de forma alguma, branquear o papel dos militares, que desde a independência detêm um poder real". Mas, do seu ponto de vista, o que acontece é que "se usam os militares para alcançar objectivos políticos". Para ele, os sucessivos golpes e actos de violência decorrem da "incapacidade de solucionar as contradições provenientes da luta armada".

Yasmine Cabral não pensa de modo diferente no que diz respeito ao papel dos militares: "Nunca houve uma intervenção meramente militar. Têm sempre por trás razões políticas. São incitados pela classe política para atingirem fins não-militares. O principal elemento de acesso ao poder não são as eleições, mas o uso indevido das Forças Armadas". Flora Gomes olha para o problema da mesma forma: "Quando as pessoas dizem que são os militares... Tu não sabes onde começam os militares e acabam os políticos. Esse é um grande problema. Temos uma fragilidade de ligações."

Aos 40 anos, a Guiné-Bissau vive formalmente uma fase de transição tutelada pelos militares - ou por quem os controla - com um Presidente da República e um Governo caucionados pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). O Parlamento, em que o PAIGC tem maioria, voltou a funcionar. No início do mês chumbou mesmo uma proposta de amnistia para os golpistas. "É a Guiné...", comenta quem conhece bem a realidade e as singularidades do país.

As eleições gerais continuam previstas para Novembro, como há meses foi anunciado . Só que ninguém acredita que o calendário seja mantido. Desde logo porque nem o recenseamento feito em 2008 foi ainda actualizado. "Toda a gente sabe que é uma falsa questão falar em 24 de Novembro, só agora estamos a discutir a reforma eleitoral", comenta Miguel de Barros.

Mesmo com toda a turbulência, sofrimento e dor, apesar da distância entre os sonhos e a realidade, quem lutou pela independência e a protagonizou acha, como Flora Gomes, que "valeu a pena essa grande aventura".

Lúcio Soares, outro dos veteranos de Lugadjol, acredita que o momento de viragem não pode estar distante. "Um dia vamos acertar, penso que falta pouco para conseguirmos endireitar a máquina", afirma no pátio da sua casa, perto do bairro militar, quando a noite começa a cair. Até esse dia, Bissau e a Guiné continuam às escuras. Mesmo durante o dia.