Maquinistas espanhóis não querem trazer o comboio Celta até ao Porto

Alegam que parte da Linha do Minho não tem controlo automático de freio e que a segurança requer domínio da língua portuguesa

A Comissão de Trabalhadores da Renfe, a transportadora ferroviária espanhola, e a Confederação Geral do Trabalho (CGT) de Espanha pediram ao Ministério do Fomento deste país para não obrigar maquinistas galegos a conduzirem o Celta (o comboio directo que liga Vigo e Porto) em território português, por não reconhecerem condições de segurança na Linha do Minho. Em causa está sobretudo o facto de, ao contrário do que sucede na parte galega do percurso, esta linha não estar integralmente electrificada e dotada de equipamento de controlo automático de velocidade.

De facto, o Convel (sistema de comunicação, controlo de velocidade e travagem, capaz de se substituir ao próprio maquinista) só existe no troço entre Porto e Nine. Nos restantes 90 quilómetros da Linha do Minho, entre Nine e Valença, vigora ainda o chamado "cantonamento telefónico", com a progressão de estação em estação das composições a depender de autorizações obtidas por telefone.

A CGT enviou uma carta ao ministério que tutela os transportes de Espanha, à qual a Lusa teve acesso, na qual alega que a formação em língua portuguesa que a Renfe está a assegurar a 64 maquinistas e cobradores espanhóis não lhes dará a fluência necessária para que possam assegurar o cumprimento dos protocolos do cantonamento telefónico nem responder a situações imprevistas com segurança.

Maquinistas e sindicatos espanhóis sugerem por isso que se mantenha o sistema actual, de rendição de maquinistas espanhóis por portugueses na fronteira de Valença, até 2016, ano em que Portugal se comprometeu a concluir a modernização de toda a Linha do Minho. O compromisso foi assumido na última Cimeira Ibérica, na qual foi decidida a criação do Celta, que, desde 2 de Julho, é operado em conjunto por Renfe e CP.

Contactado pelo PÚBLICO, Rui Santos, da delegação do Porto do Smaq-Sindicato Nacional dos Maquinistas, considerou a reinvindicação dos colegas espanhóis pertinente, por exigir um reforço de segurança que "interessa sobretudo aos passageiros". Mas ressalvou que o cantonamento telefónico, apesar de prejudicar os tempos de viagem, é feito segundo "protocolos rígidos e está homologado a nível internacional".