“Está a falhar o financiamento à economia”, diz patriarca de Lisboa

Manuel Clemente reuniu com empresários.

D. Manuel Clemente diz que co-adopção deve ser aprofundada
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D. Manuel Clemente diz que co-adopção deve ser aprofundada ADRIANO MIRANDA

O patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, disse nesta sexta-feira que “está a falhar o financiamento à economia” e apelou a uma maior atenção às pessoas no mundo do trabalho.

Manuel Clemente falava aos jornalistas no final de um almoço-encontro com empresários e gestores católicos, em Lisboa, a quem lembrou, citando o Concílio do Vaticano II, a sua responsabilidade laical, e salientou a actualidade da Doutrina Social da Igreja (DSI).

“O que está a falhar é o financiamento à economia, esse é que é o grande problema, nós como povo, como sociedade, contraíamos uma dívida muitíssimo grande, neste momento não digo que estamos nas mãos dos nossos credores, mas quase, e isso condiciona necessariamente a disponibilidade para reconstruir o país”, disse aos jornalistas Manuel Clemente, que desde Julho está à frente da diocese lisboeta.

“Essa disponibilidade, e concretamente no que diz respeito às empresas, faz-se com financiamento, faz-se com investimento, se não existe cá, tem de se procurar lá fora, o lá de fora tem as condições que nos são ditas, tudo isto complica, mas enfim, não deixamos de ser pessoas e é com pessoas que nos temos de resolver”, acrescentou.

Afirmando que “todo do problema é humano, porque somos uma sociedade”, o patriarca disse que a hierarquia da Igreja Católica tem tido “uma presença muito continuada” e aludiu ao número de homílias, conferências e encontros realizados, que têm “consequências práticas”, nomeadamente empresários que criaram postos de trabalho ou se esforçaram para não encerrar portas.

Manuel Clemente afirmou que a Igreja Católica tem ajudado empresários e gestores, mas salientou que “muitos deles são pessoas que se interessam por viver a sua fé no meio profissional, estudam e conhecem a Bíblia e os documentos” e que, “às vezes, dão grandes lições” aos eclesiásticos.

“Puxamos todos uns pelos outros”, rematou.