Campanha do PSD protagonizada por Marco António Costa com PS como alvo

Resumo da campanha eleitoral.

Marco António Costa ficou incumbido de ir onde “o resto das personalidades do PSD não teria tanta disponibilidade para se deslocar".
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Marco António Costa ficou incumbido de ir onde “o resto das personalidades do PSD não teria tanta disponibilidade para se deslocar". Paulo Pimenta

A campanha do PSD para as eleições autárquicas de domingo teve como figura principal o coordenador e porta-voz da direcção nacional do partido, Marco António Costa, e o PS como alvo permanente.

Em período de avaliação do programa de resgate a Portugal e de elaboração do Orçamento do Estado para 2014, o presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, fez, até esta quinta-feira, seis aparições pontuais nesta campanha, quase sempre à noite. Por sua vez, nos últimos dez dias, desde o início oficial da campanha, Marco António Costa passou por cerca de 30 concelhos dos distritos da Guarda, Braga, Castelo Branco, Lisboa, Santarém, Viseu, Porto, Viana do Castelo e Leiria.

Na volta que fez pelo país, praticamente sem a presença de televisões, o porta-voz do PSD culpou a anterior governação socialista pela situação do país e acusou o actual secretário-geral do PS, António José Seguro, de fazer uma campanha de desinformação e agressividade contra o Governo.

Entre repetidos apelos à cordialidade e cooperação entre agentes políticos e órgãos de soberania a seguir às eleições, atribuiu ao PS uma atitude de demagogia, eleitoralismo, recusa do diálogo, irresponsabilidade, ocultação da história recente, omissão dos “sinais positivos” de evolução da economia e destruição da autoestima dos portugueses.

Marco António Costa tem viajado acompanhado de uma pequena estrutura: o assessor de imprensa do PSD, um motorista, por vezes, o seu chefe de gabinete, e técnicos de imagem e som do partido. A meio da campanha, justificou o facto de passar por lugares com pouco movimento de pessoas com a opção de ir onde “o resto das personalidades do PSD não teria tanta disponibilidade para se deslocar”.

A inflexibilidade e “hipocrisia institucional” que apontou ao Fundo Monetário Internacional suscitaram comentários ao longo destes dias. Confrontado com algumas reações, reafirmou essas críticas, salientando que o PSD tem voz própria.

Durante a campanha oficial, que começou a 17 de Setembro, Passos Coelho discursou em jantares-comício em Galegos de Santa Maria (Barcelos), na Malveira (Mafra), em Alcanena, onde também participou numa sessão de homenagem a autarcas em final de mandato, e em Alcobaça. Esteve ainda em Algueirão - Mem Martins, no concelho de Sintra, na única ocasião em que apareceu ao lado do presidente do CDS-PP, Paulo Portas.

Nos seus discursos, defendeu uma nova cultura democrática, falou do custo que teria uma crise política e do perigo de um novo resgate associado ao nível dos juros da dívida pública e ao chumbo de medidas de corte na despesa do Estado. Na recta final da campanha, Passos Coelho usou um tom mais optimista e sustentou que a economia portuguesa está “a dar a volta”.

Quanto a objectivos eleitorais, Passos Coelho considerou que “o PSD estabeleceu a única meta ambiciosa que podia ter nestas eleições”: obter mais câmaras do que os seus adversários, mantendo a presidência da Associação Nacional de Municípios.