Norte de Portugal, Galiza e Castela e Leão voltam a tentar criar uma macro-região europeia

Líderes regionais vêem na Macro-região do Sudoeste Europeu uma forma de ganhar poder negocial face ao Governo e à Europa

Cerca de três anos depois do anúncio do projecto, a instituição de uma macro-região europeia agregadora da Região Norte de Portugal e das regiões espanholas da Galiza e de Castela e Leão recuperou ontem o impulso que perdeu logo em 2010. Os presidentes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), Emídio Gomes, o presidente da Junta de Castela e Leão, Juan Vicente Herrera, e o vice-presidente do Governo Regional da Galiza, Alfonso Rueda, encontraram-se ontem em Salamanca para reanimar a "Macro-região do Sudoeste Europeu", que será a primeira no espaço ibérico e que se deverá juntar às congéneres há muito criadas do Báltico, Adriático e Danúbio.

A criação da macro-região, que, como sublinha a CCDRN em comunicado, não implica a criação de novas estruturas administrativas nem tem custos de funcionamento, visa essencialmente dar escala aos respectivos projectos e poder negocial, face às autoridades nacionais e europeias, aos territórios que a integram.

Áreas prioritárias

No caso da Macro-região do Sudoeste Europeu, "o desenvolvimento da mobilidade e da logística, a Investigação & Desenvolvimento Tecnológico e o fomento das indústrias do automóvel e dos componentes" serão prioridades a observar no respectivo plano estratégico. "O muito em comum que partilhamos justifica uma estratégia conjunta e uma voz em uníssono na Europa. (...) Juntos, somos uma comunidade de nove milhões", sublinhou Emídio Gomes na intervenção que levou ao encontro de Salamanca.

A ideia da Macro-região do Sudoeste Europeu foi lançada em 2010 ainda com o socialista Carlos Lage na presidência da CCDRN. Os longos meses que este passou em gestão, pedindo a sua substituição ao novo Governo depois eleito, e a doença que marcou o mandato de Duarte Vieira (falecido em Fevereiro), que lhe sucedeu, não contribuíram para o desenvolvimento do projecto desta macro-região, cuja criação ainda terá de ser aprovada pelos governos de Portugal e de Espanha, pelo Parlamento Europeu e pela Comissão Europeia.