Universidades gregas fecham num braço-de-ferro com o Governo

Plano de mobilidade desenhado pelo executivo de Samaras recebe resposta drástica.

As mais recentes medidas de austeridade gregas trouxeram esta semana milhares de gregos para as ruas
Foto
As mais recentes medidas de austeridade gregas trouxeram esta semana milhares de gregos para as ruas ARIS MESSINIS/AFP

A Universidade de Atenas, uma das mais antigas na Grécia, suspendeu temporariamente o seu funcionamento. Tal como este estabelecimento, outros de ensino superior seguiram o exemplo. Foi a resposta ao Governo de Antonis Samaras, que anunciou um plano de mobilidade para os funcionários não docentes de universidades, no âmbito do acordo negociado com a troika.

Samaras anunciou recentemente que pretende incluir 498 dos 1337 funcionários não docentes da Universidade Nacional e Capodistriana de Atenas no plano desenhado pelo Ministério da Educação. Com perto de 125 mil alunos e 2000 professores, a direcção da universidade decidiu suspender o seu funcionamento.

O encerramento segue-se a uma semana de ameaças do conselho de reitores das universidades gregas ao primeiro-ministro. Segundo o conselho, 24 universidades públicas têm actualmente falta de pessoal, tendo os estabelecimentos de ensino recusado a entregar uma lista com os funcionários considerados não necessários.

Na terça-feira, os alertas ao Governo de Samaras subiram de tom e algumas universidades decidiram encerrar temporariamente. A Universidade de Atenas anunciou que com o plano da tutela não conseguirá assegurar o seu normal funcionamento, como tratar de matrículas ou realizar exames. “A operação administrativa, de investigação e educacional é objectivamente impossível”, anunciou a universidade, acrescentando que foi “forçada a suspender todas as suas operações”.

O reitor Theodosis Pelegrinis, citado pelo Guardian, considera que o “plano de mobilidade” foi criado de “forma excessiva”, sem ter em conta a realidade da educação grega. A direcção da universidade qualifica a decisão do Governo como “incompreensível” e defende que se trata de uma medida que “irá minar o ensino superior e geração mais jovem da Grécia, a única esperança real para que seja ultrapassada a crise económica e social nos próximos anos”, cita ainda o jornal.

Além da Universidade de Atenas, também a Universidade Politécnica de Atenas suspendeu a sua actividade, depois de saber que no plano do Governo está prevista a inclusão de 38% do seu pessoal. O mesmo fizeram as universidades de Creta e Tesalia, indica o El País.

O plano de mobilidade grego deverá abranger mais de um terço do pessoal administrativo das universidades. Segundo o jornal grego Ekathimerini, com o plano anunciado pelo primeiro-ministro, mais de 25 mil trabalhadores vão passar a receber 75% do seu salário enquanto não se arranjar outro lugar na função pública. Ao fim de oito meses, se não houver um cargo vago para esses trabalhadores, serão despedidos.

Numa reacção ao plano, os funcionários públicos gregos fizeram dois dias de greve numa semana e os professores do ensino secundário pararam durante toda a semana passada.

O Ekathimerini avança que o conselho de reitores das universidades gregas já se reuniu com os líderes dos partidos da oposição – Esquerda Democrática, comunistas e Syriza (esquerda radical) – para debaterem uma forma de protesto ao plano desenhado pela equipa de Samaras.