Ex-agente do FBI declara-se culpado de passar informação secreta a jornalista

Donald Sachtleben acusado de traição à segurança nacional num caso que abalou a administração Obama.

Um ex-agente do FBI declarou-se segunda-feira culpado de ter passado ilegalmente informação sobre um plano terrorista à Associated Press, num caso em que a agência de notícias norte-americana denunciou ter sido alvo de escutas telefónicas.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, em comunicado, que Donald Sachtleben, um ex-especialista em explosivos do FBI, foi detido no estado de Indiana a propósito de um caso de pornografia infantil e que admitiu ter dado “informação de segurança nacional a uma pessoa que não estava autorizada a recebê-la, nomeadamente um jornalista de um órgão de comunicação social nacional”.

Sachtleben, de 55 anos, também deverá considerar-se culpado de outras acusações, relacionadas com posse e distribuição de pornografia infantil.

A administração do Presidente Barack Obama ficou sob fortes críticas depois de, em Maio, a Associated Press (AP) ter denunciado que as autoridades federais levaram a cabo escutas às linhas telefónicas de jornalistas durante dois meses. O Departamento de Justiça terá obtido os registos telefónicos no âmbito de um mandado judicial para investigar supostas fugas de informação governamental secreta.

“Depois de esforços de investigação sem precedentes por parte de procuradores, agentes do FBI e analistas, hoje [segunda-feira] Donald Sachtleben foi acusado de traição à segurança nacional”, disse o procurador federal Ronald Machen.

A mesma fonte acrescentou que esta acusação tem a intenção de responsabilizar alguém que violou o dever de proteger os segredos do Estado, mas também serve o objectivo de evitar futuras fugas de informação.

A fuga de informação relacionou-se com um operação da CIA sobre o braço da Al-Qaeda no Iémen que terá impedido que uma bomba fosse detonada num avião com destino aos Estados Unidos.

Sachtleben tinha trabalhado para o FBI entre 1983 e 2008 como técnico de explosivos e, após a sua reforma, foi contratado por uma empresa de segurança.

O acordo feito entre as autoridades e o ex-agente do FBI poderá levá-lo a ser condenado a 43 meses de cadeia por fuga de informação e 97 meses por crimes relacionados com pornografia infantil.